A CPMF e a Saúde Pública.

A CPMF e a Saúde Pública.

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A CPMF (A Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) foi criada em outubro de 1997 pelo então Ministro da Saúde Prof. Dr. Adib Jatene, como um imposto de 0,20% sobre todas as nossas movimentações bancárias, e com o objetivo de sanar dificuldades emergenciais da Saúde Pública. E aí começou a farra do dinheiro fácil, tendo a Saúde só piorado desde então. Atualmente somente 40% do imposto arrecadado no último ano (mais de 30 blilhões de reais) foi utilizado em Saúde, e a taxa cobrada já chega a 0,38%. Nesta semana houve uma grande agitação ministerial para renovar a prorrogação deste imposto indecente, e é sobre o comportamento destas autoridades que eu gostaria de discutir com este artigo.

Como o próprio nome diz, este imposto deveria ser provisório, mas a ganância deste Governo e dos seus antecessores nos mantém reféns desta coisa hipócrita que nos rouba cada vez que usamos o nosso dinheiro (que já foi contabilizado para a contribuição ao Fisco), fazendo com que a CPMF fique cada vez mais viva. Se pelo menos tivéssemos uma mentalidade de Robin Hood, em que os ricos pagam para o benefício dos mais pobres, aceitaria com mais facilidade este comportamento, mas não é o que ocorre. Grande parte deste dinheiro é utilizado para cobrir rombos na Previdência, que como se sabe, deveria ter passado por uma reforma política há muitos anos, e que não tem nada a ver com Saúde. Mas para se fazer reformas, precisa-se desagradar alguns poucos privilegiados em prol de todos, mas falta coragem e vergonha na cara. Afinal de contas, os nossos políticos precisarão do apoio destes protegidos nas próximas eleições.
Durante esta semana, o nosso Ministro da Fazenda, o “Professor” Guido Mantega, tentou coagir a Câmara dos Deputados a aceitar emenda que prorroga a CPMF com o argumento absurdo que segue: “caso a CPMF não seja prorrogada, a Saúde será prejudicada, e para compensar, consideraremos obras para saneamento básico gastos com a Saúde, cumprindo as metas de investimento exigidas por lei”. Coisa de bandido Sr. Ministro, constrangimento é crime, ameaça é crime, chantagem é crime. Por que em vez de punir a população que paga este imposto ordinário o Sr. não foi visitar um Hospital Público, viu as pessoas morrerem na sala de espera, viu um cirurgião usar um fio errado em um procedimento, confortou uma Mãe que perdeu um filho por falta de remédios. Coisa de bandido Sr. Ministro, brincar com a vida dos outros deveria ser crime, nos tratar como imbecis deveria ser crime, nos fazer assistir a esta chacina da Saúde deveria ser crime. Mas não é.

Por favor, tratem a Saúde Pública como um objetivo real, preocupem-se com aqueles que não tem como freqüentar os mesmos Hospitais Particulares caros e bem equipados que as famílias de vocês conhecem tão bem, e não usem mais a Saúde como desculpa para a bandalheira de que tanto se orgulham, porque gente decente morre diariamente neste País por falta de atendimento médico.

Postado por:

Dr. Fernando Valério