27 mai 20
Atrofia intestinal: doença celíaca! Ou …?

INFLAMAÇÃO E ATROFIA DO DUODENO – SEMPRE CELÍACAS?
A doença celíaca se caracteriza pelo número aumentado de células inflamatórias (LINFÓCITOS) no intestino delgado e pela ATROFIA intestinal. Este diagnóstico é geralmente confirmado pela presença de ANTICORPOS no sangue (anti-transglutaminase, anti-endomísio, e anti-gliadina).
E quando estes anticorpos não são encontrados? Será uma DOENÇA CELÍACA SORO-NEGATIVA? Ou temos outras causas a serem lembradas?
Pensar em doença celíaca é óbvio e necessário nestes casos, mas precisamos ter a mente aberta. As repercussões de um diagnóstico equivocado são enormes. Ninguém quer ter uma dieta restritiva por uma vida sem uma razão digna. Mas também é importante pensar em outras razões que justifiquem estas alterações, já que elas podem gerar riscos e necessitar de tratamentos específicos.
Dentre as causas não-celíacas mais comuns estão:
– Autoimunes e imunológicas: doença de Crohn, enteropatia autoimune, imunodeficiências variadas comuns.
– Infecciosas: AIDS, giardíase, tuberculose, enterite viral, supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), Helicobacter pylori.
– Nutricionais e alimentares: desnutrição, alergias alimentares, enterite eosinofílica.
– Medicamentosas: anti-hipertensivos (olmesartana), anti-inflamatório, colchicina, inibidores de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, esomeprazol).
– Tumorais e infiltrativas: linfoma de intestino delgado, enteropatia associada a linfoma de células T, enterite microscópica (colagenosa), úlcera duodenal.
– Outros: enteropatia por radiação (pós-radioterapia), doença do receptor vs hospedeiro (pacientes transplantados).
Como viram temos uma lista enorme de alterações que devem ser pensadas nestes casos!
E como médicos devem proceder quando o paciente lhe pergunta: “e agora, SOU CELÍACO ou NÃO”?
Primeiro, lembrar que história clínica é sempre muito importante! A doença celíaca tem uma série de sintomas e doenças autoimunes associadas que podem estar presentes. Há relação destes sintomas com a ingestão do glúten?
A doença é uma patologia com base genética! Os genes foram estudados? Há algum familiar celíaco?
Os anticorpos da doença são baseados na Imunoglobina A (IgA) e na ingestão de glúten. Alguém se lembrou de dosar a IgA? O paciente estava ingerindo glúten quando dosou os anticorpos?
E a biópsia? Foi realizada com a técnica correta? O material biopsiado foi tratado com “carinho” para não gerar artefatos na preparação da lâmina? Além da inflamação e atrofia, outros pontos foram analisados? A forma das células intestinais foram avaliadas, onde predomina a presença de linfócitos na vilosidade? São muitas variáveis, e precisamos de especialistas também no laboratório!
E quanto às outras patologias? Elas também merecem questionamentos! Teve febre, viajou e teve alguma infecção intestinal, tem animais em casa (estão vermifugados?), tem alguma doença crônica, toma medicamentos diariamente, perdeu peso, fez radioterapia, é transplantado, tem evacuado sangue, costuma ter alergias, usa drogas?
Este é o cenário! Difícil, mas que deve ser avaliado com calma e paciência.
A doença celíaca requer estudo, dedicação e uma série de conhecimentos agregados. Por isso, precisamos formar mais profissionais capazes e conscientizar sempre sobre a doença. Esta é a missão!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença celíaca e glúten, alergias e intolerâncias alimentares, e doenças intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

INFLAMAÇÃO E ATROFIA DO DUODENO – SEMPRE CELÍACAS? A doença celíaca se caracteriza pelo número aumentado de células inflamatórias (LINFÓCITOS) no intestino delgado e pela ATROFIA intestinal. Este diagnóstico é geralmente confirmado pela presença de ANTICORPOS no sangue (anti-transglutaminase, anti-endomísio, e anti-gliadina). E quando estes anticorpos não são encontrados? Será uma DOENÇA CELÍACA SORO-NEGATIVA? Ou […]
27 mai 20
O eixo cérebro-intestinal: entendendo esta relação.

Alguma vez alguém já lhe disse: “não coma muito à noite, você terá pesadelos!”? E você, já teve um quadro de diarreia ou dor de estômago após um período de grande estresse? E o termo “enfezado”, o mau humor que vem das fezes constipadas, faz sentido? Há realmente tanta intimidade assim entre o sistema nervoso e o digestivo?
SIM! Sabemos que o relacionamento entre o cérebro e o intestino é muito próximo, e o chamamos de EIXO-CÉREBRO-INTESTINAL. Esta relação nasce durante o início do nosso desenvolvimento e persiste durante toda a vida. É uma longa amizade! O eixo-cérebro-intestinal regula o equilíbrio entre estes sistemas, principalmente quanto à sensibilidade (dor) e função motora do trato digestivo. Mas quando um dos amigos sofre, o outro pode ser muito solidário!
O trato digestivo é regulado através do sistema nervoso autônomo, uma aparelho nervoso independente do cérebro, chamado de SISTEMA NERVOSO ENTÉRICO (SNE). O SNE consiste de mais de 100 milhões de neurônios, e também é conhecido como SEGUNDO CÉREBRO. Mas apesar da sua capacidade de agir de forma autônoma, geralmente isto não ocorre, já que há uma COMUNICAÇÃO contínua e bidirecional com o cérebro. São como confidentes!
Uma das maneiras de se comunicarem é através de neurotransmissores, sendo a SEROTONINA a mais destacada. A serotonina tem um papel importante no eixo-cérebro-intestinal. No cérebro, ela modula a cognição e fatores emocionais (ansiedade e depressão). Apesar de ser um neurotransmissor cerebral dos mais importantes, somente 3% da nossa serotonina se encontra no cérebro. Na verdade, 95% da totalidade desta substância é produzida no trato digestivo! No intestino, a serotonina participa do controle motor, da regulação das secreções digestivas, da integridade da mucosa intestinal e do desenvolvimento da nossa microbiota. A serotonina é um importante elo de ligação entre o nosso cérebro, intestino e flora intestinal. Esta é a explicação para que alguns antidepressivos sejam usados para o controle de sintomas digestivos, principalmente dor abdominal. Estes medicamentos estão agindo no eixo-cérebro-intestinal.
Um outros fator nesta relação de amizade é o sistema límbico, o centro cerebral das emoções. Em momentos de estresse e ansiedade, por exemplo, o sistema límbico libera substâncias que estimularão a secreção do CORTISOL, o chamado “hormônio do estresse”. O cortisol age sobre a inervação intestinal, causando aumento de sensibilidade dolorosa e alteração motora intestinal.
A microbiota intestinal também influencia a relação cérebro-intestinal. Como age no metabolismo de vários neurotransmissores, como a serotonina e dopamina, pode estimular uma parte no do nosso sistema nervoso, causando até alterações de aprendizado e de memória.
A importância da relação cérebro-intestinal também se comprova na presença de sintomas emocionais em pelo menos 50% dos pacientes que apresentam dores abdominais e alterações do ritmo intestinal em doença digestivas funcionais, como na Síndrome do Intestino Irritável. Mais ainda, sabemos que pacientes com estas alterações emocionais são mais sintomáticos e que respondem de forma mais modesta aos tratamentos. Estes achados também justificam a necessidade de atividade física, lazer e boas horas de sono no tratamento destes pacientes. O intestino funciona melhor quando o seu melhor amigo, o cérebro, também está bem.
Como visto aqui, a Neurogastroenterologia pode nos ajudar muito a compreender o funcionamento digestivo e suas doenças funcionais. Mantenham alimentação e estilo de vida saudáveis. o seu eixo-cérebro-intestinal agradecerá!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca e glúten, alergias e intolerâncias alimentares, e doenças intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Alguma vez alguém já lhe disse: “não coma muito à noite, você terá pesadelos!”? E você, já teve um quadro de diarreia ou dor de estômago após um período de grande estresse? E o termo “enfezado”, o mau humor que vem das fezes constipadas, faz sentido? Há realmente tanta intimidade assim entre o sistema nervoso […]
19 nov 19
Diverticulite aguda: sementes e grãos são os verdadeiros vilões?

DIVERTICULITE AGUDA: SEMENTES E GRÃOS SÃO OS VERDADEIROS VILÕES?
DIVERTÍCULOS são saculações que se desenvolvem na parede do intestino grosso com o passar dos anos, e que ocorrem em pontos de fraqueza desta parede. Sabe-se que 50% das pessoas com mais de 60 anos apresentam divertículos intestinais (DIVERTICULOSE INTESTINAL). Mas o grande medo por portadores da diverticulose, que muitas vezes é assintomática, é evoluir com um quadro de DIVERTICULITE AGUDA, algo que ocorre em 5% dos casos.
A diverticulite aguda é uma inflamação que acontece nos divertículos, podendo causar dor abdominal forte (lado esquerdo inferior do abdome), parada da eliminação de gases e fezes, febre e distensão abdominal. O diagnóstico é confirmado através de hemograma e exames de imagem (ultrassonografia e tomografia computadorizada). O tratamento requer dieta, antibióticos e, em alguns casos mais graves, internações e cirurgia.
Mas a questão é: QUAIS OS REAIS FATORES DE RISCO PARA A DIVERTICULITE AGUDA?
Durante muito tempo se pensou que este quadro era causado pela obstrução dos divertículos por fezes e alimentos. E aí foi fácil associarmos as sementes e grãos como os maiores vilões. Por anos colocamos a culpa no milho, nas castanhas, pipoca e sementes de frutas (tomate, kiwi, mamão, uva). Mas erramos! Na verdade, a ingestão destes alimentos não está relacionado ao desenvolvimento da diverticulite. Pelo contrário! A ingestão de fibras nos protege.
Mas QUEM DEVEMOS CULPAR então? Em pelo menos 50% dos casos os verdadeiros causadores da diverticulite aguda são a obesidade (abdominal em particular), uso de anti-inflamatórios, sedentarismo, dieta rica em gordura (principalmente carne vermelha) e pobre em fibras.
E COMO EVITAR AS CRISES de diverticulite aguda em portadores de diverticulose intestinal? Com adequação de ESTILO DE VIDA e ALIMENTAÇÃO, como as que seguem abaixo:
– manter-se com peso adequado (índice de massa corpórea normal)
– não ingerir mais que quatro porções de carne vermelha por semana
– ingerir mais que 23 gramas de fibras ao dia
– praticar atividades físicas por mais de duas horas por semana
– não fumar
E caso você já tenha sofrido com alguma crise de diverticulite previamente, adeque-se o quanto antes a estas medidas. A cada crise as chances de recidiva da inflamação aumentam exponencialmente.
Mais do que procurar um gastroenterologista ou cirurgião nos momentos críticos, busque orientação prévia para ter orientações alimentares e de estilo de vida. Além de diminuir os riscos de crises de diverticulite, estará realmente promovendo mais saúde ao seu corpo e se protegendo de outras doenças causadas pelos mesmos fatores de risco.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em doenças intestinais funcionais, doença celíaca e distúrbios relacionados ao glúten, intolerâncias e alergias alimentares, síndrome do intestino irritável

DIVERTICULITE AGUDA: SEMENTES E GRÃOS SÃO OS VERDADEIROS VILÕES? DIVERTÍCULOS são saculações que se desenvolvem na parede do intestino grosso com o passar dos anos, e que ocorrem em pontos de fraqueza desta parede. Sabe-se que 50% das pessoas com mais de 60 anos apresentam divertículos intestinais (DIVERTICULOSE INTESTINAL). Mas o grande medo por portadores […]
30 ago 19
Dr. Fernando Valério e International Society for the Study of Celiac Disease (ISSCD)

O Dr. Fernando Valério recebeu esta semana a mensagem de que foi ACEITO como MEMBRO da International Society for the Study of CELIAC DISEASE (ISSCD), algo que nos traz muito orgulho.
A ISSCD é uma federação internacional compostas por profissionais que buscam promover a pesquisa sobre a doença celíaca, assim como orientar sobre os cuidados médicos em relação a esta doença.
A ISSCD está atualmente em processo de regionalização. Atualmente é composta pela European Society for Study of Coeliac Disease (ESCCD) e Society for Study of Celiac Disease (SSCD). A Sociedade Australiana também já está em progresso.
Nós temos vários grupos, associações e federação de celíacos muito organizados e que atuam há anos. Quem sabe um dia não façamos parte desta federação, mas não como membros individuais, e sim como uma organização nacional.
Mas o importante é que o Mundo científico continua se organizando para promover o bem estar dos pacientes celíacos.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologia e Nutrologia
Especialista em Doença Celíaca e Doenças Intestinais Funcionais

O Dr. Fernando Valério recebeu esta semana a mensagem de que foi ACEITO como MEMBRO da International Society for the Study of CELIAC DISEASE (ISSCD), algo que nos traz muito orgulho. A ISSCD é uma federação internacional compostas por profissionais que buscam promover a pesquisa sobre a doença celíaca, assim como orientar sobre os cuidados […]
30 ago 19
Intolerância à lactose e alergia ao leite: quais as diferenças?

Reações adversas aos alimentos podem ser divididas em dois grandes grupos: ALERGIAS e INTOLERÂNCIAS. Devido a similaridade de sintomas digestivos entre as duas e a melhora clínica após a retirada do leite e derivados, a alergia ao leite é comumente confundida com a intolerância à lactose. Mas há diferença sim, e ela é IMUNOLÓGICA.

A alergia é uma resposta imunológica inapropriada caracterizada pela ativação de anticorpos (IgE) e que é induzida por PROTEÍNAS existentes nos alimentos. Neste caso, o nosso sistema imunológico identifica um alimento como um invasor ou agressor, e tenta neutralizá-lo. Esta resposta é imediata, e os sintomas podem surgir em segundos, minutos ou algumas horas. A alergia ao leite é geralmente diagnosticada na infância, e as proteínas mais importantes envolvidas são a caseína, alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina.

A intolerância alimentar é uma reação não-imunológica aos alimentos e que pode ser causada por qualquer substância NÃO-PROTEICA contida em um alimento, sendo muito mais comum que as alergias alimentares. Ou seja, temos a dificuldade digestiva em lidar com algum alimento, mas não o vemos como um inimigo. Simplesmente não nos damos bem! No caso do leite, a intolerância está ligada à LACTOSE.

A lactose é um açúcar presente no leite, e que é digerida no intestino delgado através da enzima chamada LACTASE. Nos pacientes intolerantes à lactose, há uma deficiência da produção de lactase, tornado-nos inaptos a digerir este açúcar. Esta falha na produção da lactase pode ser primária, e decorre da programação genética que algumas pessoas têm de diminuir a produção de lactase durante a vida. Este processo ocorre em 25% das pessoas. Ou secundária, que é o resultado de uma doença que afeta o intestino e torna-o incapaz a produzir a lactase. Um bom exemplo disto é a doença celíaca, quando uma inflamação intestinal auto-imune gerada pelo glúten impede que o intestino produza a lactase, tornando os celíacos intolerantes à lactose.

Quanto aos sintomas, as queixas mais comuns são dor abdominal, diarreia, má-digestão (dispepsia), náusea, distensão abdominal, gases intestinais e flatulência. A alergia também causa alterações na pele, coceira, edema ou asma. Em casos extremos, há o choque anafilático.

Alérgicos ao leite devem evitar a ingestão deste alimento e seus derivados. E lembrar que para este grupo não há qualquer vantagem em ingerir produtos sem lactose, visto que o seu problema está nas proteínas do leite, e não no açúcar. Ou seja, ingerir leite sem lactose é estar tomando as proteínas do leite da mesma forma! A boa notícia é que a alergia ao leite costuma ceder após a primeira década de vida.

No caso da intolerância à lactose primária, pacientes podem tomar suplementos de lactase quando desejam ingerir leite e derivados ou simplesmente deixar de ingerir estes produtos. O mesmo ocorre com pessoas com intolerância secundária, mas estas geralmente se tornam novamente tolerantes quando o intestino doente cicatriza e a produção de lactase volta ao normal.

 

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca e Doenças Intestinais Funcionais

Reações adversas aos alimentos podem ser divididas em dois grandes grupos: ALERGIAS e INTOLERÂNCIAS. Devido a similaridade de sintomas digestivos entre as duas e a melhora clínica após a retirada do leite e derivados, a alergia ao leite é comumente confundida com a intolerância à lactose. Mas há diferença sim, e ela é IMUNOLÓGICA. A […]
21 ago 19
Doença celíaca e crianças: há uma maneira correta de se introduzir o glúten na dieta?

A DOENÇA CELÍACA é uma alteração genética, que acomete de 1 a 3% da população. E se ela é uma doença genética, é muito justo que PAIS CELÍACOS se preocupem com o risco dos seus filhos desenvolverem a doença celíaca. Ninguém quer deixar como herança uma doença insidiosa, que traz distúrbios nutricionais e sintomas digestivos limitantes, além de uma série de doenças autoimunes correlacionadas! No entanto, sabemos que 30% da população geral têm algum gene positivo para o desenvolvimento da doença, mas que em somente 3 a 4% deste grupo isto realmente ocorrerá. Claramente há um fator ambiental, um gatilho, mas que ainda não entendemos bem!

E será que este gatilho tem relação com o modo com que introduzimos ou não o GLÚTEN na alimentação das crianças? Esta é uma preocupação de médicos e pais, e por isso alguns grupos de estudo e sociedades médicas têm se dedicado ao tema. Os questionamentos mais importantes são:

1- amamentar ou não reduz o risco da doença?

2- estar amamentando no momento da inclusão do glúten na dieta faz diferença?

3- o momento de introduzir o glúten na dieta muda algo? Três, quatro, seis, doze meses?

4- a quantidade de glúten tem importância?

5- o tipo de glúten (cereal) tem relevância?

A resposta é: NENHUMA destas medidas ou fatores se mostrou relevante para o desenvolvimento ou não da doença celíaca!

A única questão é que quando se estudam crianças com alto risco para a doença celíaca, a introdução do glúten na dieta aos seis meses de vida em vez de 12 meses antecipa o surgimento dos sintomas. E mais recentemente um estudo mostrou a associação de ingestão de glúten durante os primeiros 5 anos de vida com incidência de risco aumentado para autoimunidade celíaca e para doença celíaca em crianças com predisposição genética positiva (HLA DQ2 / DQ8 / DQ7). 

Ainda não há qualquer recomendação formal sobre a introdução do glúten em crianças com parentes de primeiro grau celíacos. Mas há uma óbvia preocupação especialmente com este grupo.

Mas lembro, o glúten é uma causa necessária para que a doença celíaca exista, e portanto é importante que se continue estudando a relação desta proteína com possíveis fatores desencadeantes.

 

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especializado em Doença Celíaca e Doenças Intestinais Funcionais

A DOENÇA CELÍACA é uma alteração genética, que acomete de 1 a 3% da população. E se ela é uma doença genética, é muito justo que PAIS CELÍACOS se preocupem com o risco dos seus filhos desenvolverem a doença celíaca. Ninguém quer deixar como herança uma doença insidiosa, que traz distúrbios nutricionais e sintomas digestivos […]