17 ago 17

Todos os dias somos bombardeados com comerciais e propagandas que nos estimulam a comprar produtos que poderiam melhorar a nossa flora intestinal e o funcionamento do nosso sistema digestivo. Estas ofertas variam desde alimentos comuns, como iogurtes e laticínios fermentados, a medicamentos como os probióticos, prebióticos e simbióticos. Mas será que há uma razão para isto, ou este é apenas um aspecto comercial sem fundamento? A resposta é: a nossa flora intestinal é muito importante para a nossa saúde e devemos estar atentos a este tema. Atualmente, com o desenvolvimento de técnicas mais avançadas, foi possível revelar a complexidade e a diversidade das funções da nossa flora intestinal. Mais do que isto, podemos afirmar que alterações na composição e equilíbrio da nossa flora intestinal, o que denominamos disbiose, estão associadas a inúmeras doenças gastrointestinais. Mas a dúvida que ainda remanesce é se a disbiose é a causa ou a consequência destas doenças. (mais…)

Todos os dias somos bombardeados com comerciais e propagandas que nos estimulam a comprar produtos que poderiam melhorar a nossa flora intestinal e o funcionamento do nosso sistema digestivo. Estas ofertas variam desde alimentos comuns, como iogurtes e laticínios fermentados, a medicamentos como os probióticos, prebióticos e simbióticos. Mas será que há uma razão para […]
24 abr 17

A obesidade é uma doença endêmica em todo o Mundo, e no Brasil a prevalência desta doença metabólica e suas consequências cresce visivelmente. Sabemos que atualmente 54,1% dos brasileiros adultos está com sobrepeso ou é obeso. E o que mais preocupa é que as crianças também estão sofrendo com este mal, onde 15% das nossas crianças já estão acima do peso. Pensando apenas em crianças abaixo de 5 anos, 7,3% deste grupo etário já está afetado pelo excesso de peso. Segundo alguns dados recentes, a obesidade infantil aumentou 300% nos últimos 40 anos. Como médico, a preocupação é que as consequências da obesidade infantil são óbvias, com alterações psicossociais, endócrinas, gastrointestinais, ortopédicas e cardiorrespiratórias. Além disso, crianças acima do peso serão em 40% das vezes adultos obesos, enquanto 80% dos adolescentes obesos também manterão este padrão de peso na idade adulta. O objetivo médico imediato é identificar as crianças com sobrepeso e obesidade, orientar as famílias e ajudar no controle dos fatores de risco para doenças crônicas.

Como a obesidade e suas comorbidades se tornaram o maior desafio médico global quando se pensa em doenças que afetam crianças e adolescentes de todas as idades, a identificação dos fatores de risco é muito importante. Estes fatores são divididos em intrauterinos e pós-natais.

Fatores intrauterinos:

  • Diabetes gestacional
  • Hipertensão arterial materna
  • Excesso de ganho de peso materno durante a gestação
  • Alterações no crescimento fetal intrauterino (pequeno ou grande para a idade gestacional)
  • Exposição fetal ao cigarro e cocaína

 

Fatores pós-natais:

  • Introdução precoce de alimentos sólidos ao bebê (menos de 4 meses de idade)
  • Amamentação materna por período menor que 6 meses
  • Pais com excesso de peso
  • Excesso de tempo utilizando aparelhos eletrônicos (TV, videogames, tablets, celulares)
  • Relação materno-infantil frágil

 

A história alimentar e de peso dos pais e familiares deve ser associada à presença da obesidade infantil, já que padrões genéticos e comportamentais podem estar presentes. A evidência de que uma significante relação entre variáveis genéticas e comportamentais existe e já foi comprovada. Além disso, crianças com pais e familiares obesos costumam seguir os mesmos padrões dietéticos e alimentares, o mesmo gasto de tempo em frente à televisão e aparelhos eletrônicos, pouco prática de atividades físicas, o que explica a tendência de que toda a família esteja fora dos padrões de peso e comportamento alimentar adequados. Estudos recentes também mostram que alterações na flora intestinal (microbiota) poderiam explicar em parte a presença da obesidade infantil, já que as bactérias intestinais afetariam o processamento de nutrientes pelo intestino, além de gerar resposta imunológica e inflamatória que colaborariam com o desenvolvimento da obesidade. Uma explicação para que a flora intestinal se alterasse em crianças seria o uso de antibióticos em idade inferior a dois anos. Mesmo que a flora intestinal se recuperasse após o término do uso do medicamento, já poderia ter havido uma persistente alteração nos padrões de metabolismos e aspectos físicos da criança.

A definição mais clara da obesidade é o excesso de massa gordurosa. A principal maneira como se identificam as crianças com excesso de peso são as medidas antropométricas, que utilizam o peso e altura. Outras formas de medida, como a densitometria, bioimpedância e ressonância magnéticas não são utilizadas rotineiramente na prática clínica para a avaliação de crianças. Por isso, métodos como o índice de massa corpórea e medidas da circunferência abdominal e pregas cutâneas são praticamente os métodos exclusivos de medida. Após a realização destes cálculos, os dados devem ser aplicados a curvas que consideram a idade da criança. Ou seja, índices de massas corpóreas podem ser considerados normais ou não dependendo da faixa etária. E mesmo que este método de avaliação não defina a massa muscular, óssea e gordurosa de maneira individualizada, o seu padrão de resultados é bem aceitável e compatível com a realidade na maior parte dos casos.

Quando se identifica e se comunica o excesso de peso em crianças é sempre importante que o médico fique atento ao estigma que este diagnóstico trará. Crianças “gordas” são comumente associadas à comportamentos preguiçosos, à falta de atratividade e até mesmo, estupidez. É por isso que médicos, nutricionistas e familiares devem entender e estar sensíveis aos sentimentos que a criança demonstra de vergonha, falta de motivação e até mesmo de depressão frente a um problema físico aparente. Os pais não devem se sentir julgados e criticados quando os seus filhos recebem o diagnóstico de sobrepeso e obesidade, e sim colaborar com a equipe de saúde para que o seu filho se trate de maneira adequada e responsável. O sentimento de culpa não ajuda a qualquer parte durante o processo, seja a criança ou os pais. Por outro lado, médicos não devem apenas explicar sobre a doença, mas também propor cuidados e tratamentos.

Além do óbvio efeito estético que o sobrepeso e a obesidade causam, há ainda uma enormidade de complicações relacionadas a esta doença. São elas:

  • Psicossocial: distúrbios de autoimagem, vitimização, baixa autoestima, prejuízo na socialização, ansiedade, sintomas depressivos e distúrbios alimentares comportamentais.
  • Cardiovascular: dislipidemia (aumento de colesterol e triglicérides), hipertensão arterial, desenvolvimento de placas de atero-esclerose precocemente.
  • Endocrinológica: aumento de insulina, pré-diabetes, diabetes tipo 2, síndrome metabólica.
  • Respiratória: apneia do sono.
  • Gastrointestinal: esteatose hepática (gordura no fígado).
  • Ortopédicas: dores articulares em membros inferiores, piora na mobilidade.

 

Quanto ao tratamento, obviamente ele exige uma mudança de estilo de vida da criança, e provavelmente, de toda a família. Melhores escolhas alimentares, orientação quanto à horários das refeições e definição das porções dos alimentos são sempre medidas necessárias. Uma medida didática criada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos é a regra do 5-2-1-0, que corresponde às seguintes orientações.

  • 5 ou mais porções de frutas, verduras ou legumes ao dia.
  • 2 horas ou menos de televisão ou videogames ao dia.
  • 1 hora ou mais de alguma atividade física.
  • 0 (zero) consumo de bebidas e alimentos adoçados com açúcar.

 

Os resultados quando se realizam estas medidas comportamentais de média ou alta intensidade costumam ser efetivos na redução do índice de massa corpórea em um período de 12 meses. Alguns estudos mostram que após a reeducação alimentar esta adequação do peso pode ser duradoura. Em casos extremos, quando não se consegue que medidas comportamentais sejam instituídas, quando estas não atingem os resultados esperados ou quando não se consegue controlar as complicações decorrentes da obesidade, o uso de medicamentos pode ser necessário. Atualmente, os Estados Unidos liberaram apenas o uso do orlistate como tratamento medicamentoso específico para crianças. Mas no caso de crianças com pré-diabetes ou diabetes, medicações que reduzem a glicemia (hipoglicemiantes) podem ser usados. Alguns estudos sugerem alguma redução de peso com o uso destas medicações. Nas crianças em que a esteatose hepática gerou um processo inflamatório no fígado (esteato-hepatite), o uso de suplementos de vitamina E tem sido proposto.

Quanto à cirurgia bariátrica, este método de tratamento mais radical tem espaço em adolescentes, mas desde que estes sigam regras rigorosas de indicação do procedimento. É preciso sempre reforçar que esta cirurgia visa o controle de comorbidades e complicações causadas pela obesidade, e não deve ser usada como um artifício estético. Dentre os critérios de inclusão para a realização da cirurgia estão a falta de resultado com medidas alimentares e atividade física, a capacidade do adolescente em decidir comprovada, ter maturidade psicológica, ter índice de massa corpórea maior que 50 ou maior de 40 com comorbidades associadas (hipertensão arterial, diabetes, apneia do sono), ter a capacidade de entender as consequências da cirurgia, ser capaz de aderir a programas de adequação de estilo de vida após a cirurgia, e no caso da meninas, não engravidar por um período de até um ano após o procedimento.

Acredito que com este artigo consegui passar informações que lhes comprovem a gravidade do que significa uma criança estar com sobrepeso ou obesa, as suas consequências, além de algumas medidas e orientações para que esta doença possa ser tratada de maneira correta e duradoura. Obviamente estas crianças precisam ser acompanhadas por profissionais habilitados e que trabalhem juntamente com as famílias para que bons resultados sejam atingidos.

A obesidade é uma doença endêmica em todo o Mundo, e no Brasil a prevalência desta doença metabólica e suas consequências cresce visivelmente. Sabemos que atualmente 54,1% dos brasileiros adultos está com sobrepeso ou é obeso. E o que mais preocupa é que as crianças também estão sofrendo com este mal, onde 15% das nossas […]
09 jun 15
Prebióticos e Probióticos: o que são e o que fazem para a nossa saúde?

Dr Fernando Valerio - Blog - Próbioticos
O trato gastrointestinal humano constitui o habitat de uma comunidade bastante grande e diversificada de microrganismos (bactérias). A colonização do trato gastrointestinal inicia-se imediatamente após o nascimento. Durante os primeiros dias de vida, o intestino é colonizado por bactérias provenientes do ambiente e da mãe. Entre 10 a 20 espécies compõem em torno de 90% das células bacterianas que ocupam o intestino humano. A mudança para microbiota adulta acontece após o desmame e, já no segundo ano de vida, a constituição da microbiota intestinal torna-se similar àquela de um adulto e mantém-se relativamente estável ao longo da vida. A quantidade e variedade de microrganismos aumentam progressivamente desde o estômago até o cólon. Em um indivíduo adulto, o trato gastrointestinal contém 10 vezes mais bactérias do que o número de células do corpo humano inteiro. Como esses microrganismos são metabolicamente ativos e interagem continuamente com o seu ambiente, são capazes de exercer uma influência significativa no desenvolvimento e na fisiologia do hospedeiro. Os prebióticos são ingredientes de alimentos que beneficiam o organismo do hospedeiro estimulando o crescimento e/ou o aumento da atividade de um número limitado de espécies de bactérias, gerando seletividade no cólon e possíveis benefícios à saúde e ao bem-estar dos indivíduos. Os probióticos são definidos como microrganismos vivos os quais conferem benefícios de saúde ao hospedeiro, quando administrados em quantidades adequadas. Sendo assim, o objetivo deste artigo é discutir do que se tratam os prebióticos e probióticos, assim como os seus possíveis efeitos à nossa saúde. (mais…)

O trato gastrointestinal humano constitui o habitat de uma comunidade bastante grande e diversificada de microrganismos (bactérias). A colonização do trato gastrointestinal inicia-se imediatamente após o nascimento. Durante os primeiros dias de vida, o intestino é colonizado por bactérias provenientes do ambiente e da mãe. Entre 10 a 20 espécies compõem em torno de 90% […]
06 mai 15
Síndrome Metabólica: o que é e o que representa para a sua saúde?

Dr Fernando Valerio - Blog - Sindrome metabolica
O termo síndrome metabólica é utilizado para descrever uma série de alterações metabólicas que podem trazer enorme prejuízo à saúde. Estas alterações são representadas pela resistência à insulina ou aumento da glicemia (aumento do açúcar no sangue), obesidade abdominal, alterações de colesterol (LDL alto e HDL baixo) e triglicérides, e hipertensão arterial. Estes fatores são importantes porque cada componente aumenta o risco de doença cardiovascular e do desenvolvimento de diabetes, sendo que pode haver sinergismo entre eles, aumentando assim o risco. Desta forma, o objetivo deste artigo é mostrar a importância de se perceber que estas alterações podem nos prejudicar enormemente, e que a sua presença em conjunto não é apenas uma coincidência, e sim um enorme risco. (mais…)

O termo síndrome metabólica é utilizado para descrever uma série de alterações metabólicas que podem trazer enorme prejuízo à saúde. Estas alterações são representadas pela resistência à insulina ou aumento da glicemia (aumento do açúcar no sangue), obesidade abdominal, alterações de colesterol (LDL alto e HDL baixo) e triglicérides, e hipertensão arterial. Estes fatores são […]
28 abr 15

Certificado NutrologiaDesde que conclui a minha pós graduação em Nutrologia (Associação Brasileira de Nutrologia – ABRAN e Faculdade de Ciências Médicas de São Paulo) venho respondendo a mesma pegunta: qual a diferença entre o nutrólogo e o nutricionista? Esta é uma dúvida pertinente, e por isso resolvi publicar este artigo explicando a formação e a atuação destes profissionais que estudam a alimentação e as suas repercussões. O nutrólogo é um médico especialista em nutrição, tanto que a Nutrologia é reconhecida como uma especialidade médica, assim como outras, como a cardiologia, gastroenterologia, pediatria, geriatria, cirurgia, proctologia, etc. Desta forma, para se tornar um nutrólogo, este profissional precisa se formar em Medicina, curso este com duração de 6 anos, e depois realizar pós graduação em Nutrologia ou residência médica na área. O nutricionista é formado em Nutrição e Metabolismo, um curso com duração de 4 anos. Do ponto de vista prático, o nutrólogo tem os mesmos direitos e atribuições de qualquer médico, como a solicitação de exames e a indicação de medicamentos, além de ter o seu atendimento garantido pelos planos de saúde sem a necessidade de autorização prévia. No caso dos nutricionistas, o campo de atuação deste profissional reside principalmente na orientação alimentar e formulação de cardápios. Além disso, alguns planos de saúde exigem a indicação de médicos para que os pacientes façam acompanhamento com nutricionistas. De qualquer forma, estes dois profissionais deveriam ser complementares, tornando a abordagem nutricional ainda mais efetiva aos pacientes. Entenda mais sobre a atuação destes profissionais no restante do texto. (mais…)

Desde que conclui a minha pós graduação em Nutrologia (Associação Brasileira de Nutrologia – ABRAN e Faculdade de Ciências Médicas de São Paulo) venho respondendo a mesma pegunta: qual a diferença entre o nutrólogo e o nutricionista? Esta é uma dúvida pertinente, e por isso resolvi publicar este artigo explicando a formação e a atuação […]
10 mar 15
Cálcio e sua suplementação: prevenção de osteopenia, osteoporose e fraturas.

Dr Fernando Valerio - Blog - Calcio
Tanto médicos quanto pacientes se sentem confusos sobre a quantidade de cálcio que devemos ingerir para reduzir os riscos de fraturas, e mais ainda, se a suplementação de cálcio é realmente necessária. Sabe-se hoje que a deficiência de cálcio por longos períodos pode claramente aumentar as chances de desenvolvimento da osteoporose (perda de massa óssea), mas erradamente algumas pessoas acreditam que eventos fisiológicos da perda de massa ósseas como a menopausa e a idade, e que estão associadas a fraturas, podem ser extensivamente interrompidos pela suplementação do cálcio. Além disso, enquanto algumas pessoas apresentam um maior risco devido à deficiência de cálcio, aquelas que usam os suplementos podem ingerir mais deste mineral do que o necessário. Esta dificuldade em propor a suplementação do cálcio decorre do conhecimento médico ainda não totalmente esclarecido sobre as interações entre o cálcio e a vitamina D, onde não se define os riscos associados claramente da deficiência desta substâncias isoladamente. O objetivo deste artigo é discutir a relação entre a ingestão de cálcio e a redução do risco de fraturas, além de comentar sobre a segurança na suplementação do cálcio. (mais…)

Tanto médicos quanto pacientes se sentem confusos sobre a quantidade de cálcio que devemos ingerir para reduzir os riscos de fraturas, e mais ainda, se a suplementação de cálcio é realmente necessária. Sabe-se hoje que a deficiência de cálcio por longos períodos pode claramente aumentar as chances de desenvolvimento da osteoporose (perda de massa óssea), […]