23 jan 20
Doença celíaca: uma alteração sistêmica.

A doença celíaca é uma alteração desencadeada pelo glúten, em pessoas geneticamente predispostas.
O foco aqui é mostrar que o processo em geral se inicia no intestino, mas que devido às características SISTÊMICAS e AUTOIMUNES, pode afetar diversos órgãos.
As fotos mostram o caso de uma paciente que diagnostiquei no começo deste ano. Segundo ela, estas lesões na pele causavam dor e sangramento. Além desta dermatite nas mãos, insônia, diarreia, artrose, perda de peso e alteração de força motora e sensibilidade também eram sintomas que ela apresentava.
Como é nítido nas imagens, a melhora após a retirada do glúten foi incrível! Mas sem uma suspeita clínica e um diagnóstico preciso ela ainda estaria passando cremes nas mãos sem nenhum resultado!
E que lições podemos tirar deste caso?
– A pele nos chama a atenção porque é visível, mas os celíacos sofrem na mesma intensidade que vocês veem nestas lesões cutâneas em outros órgãos. Dor de cabeça, depressão, fadiga, dor muscular, tireoidite, aftas, hepatite, infertilidade, anemia, diabetes, osteoporose e alterações de memória são apenas exemplos de repercussões da doença que não vemos, mas que comprometem muito a vida destes pacientes.
– Esta é uma doença de responsabilidade de várias especialidades. Gastroenterologistas, reumatologistas, dermatologistas, neurologistas, ortopedistas, endocrinologistas, pediatras, clínicos, ginecologistas, hematologistas, devem estar todos atentos a este diagnóstico.
– A ignorância sobre a doença traz imenso sofrimento psicológico. Como esta paciente me disse, “as lesões na pele causavam repulsa nas pessoas”. Comportamentos assim trazem afastamento social e isolamento.
– Por isso, quando um celíaco lhe perguntar mil vezes sobre a presença do glúten em uma comida, trate-o com carinho e paciência. Você pode não entender a razão para tantos questionamentos, mas o paciente com certeza sabe.
– E por último, deixo um pensamento para a reflexão: “Só sabe o que acha quem sabe o que procura!”
Este é um caso feliz porque a paciente está ótima, com qualidade de vida excepcional quando comparado ao momento em que a diagnostiquei. Agradeço muito a esta paciente querida que me autorizou compartilhar estas imagens com vocês. Foi um gesto de carinho sincero e de respeito a toda comunidade celíaca.
E fica o recado, a doença celíaca ainda é uma doença muito negligenciada por médicos e profissionais da saúde, e precisa ser diagnosticada com maior precisão.

Dr. Fernando Valério
Especialista em Doença Celíaca e glúten, intolerâncias e alergias alimentares, e doenças intestinais funcionais
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

A doença celíaca é uma alteração desencadeada pelo glúten, em pessoas geneticamente predispostas. O foco aqui é mostrar que o processo em geral se inicia no intestino, mas que devido às características SISTÊMICAS e AUTOIMUNES, pode afetar diversos órgãos. As fotos mostram o caso de uma paciente que diagnostiquei no começo deste ano. Segundo ela, […]
23 jan 20
Sangramento anal: procure um Proctologista.

O SANGRAMENTO ANAL recorrente, de forma autolimitada e crônica, é um dos sintomas mais comuns apresentados por pacientes portadores de doenças intestinais e anais. Estima-se que 15% dos adultos tenham este sintoma. Mas sabe-se que apenas 14% das pessoas com este tipo de sangramento procuram ajuda médica em até um ano após o início do sintoma! O sangramento anal pode ser percebido no papel higiênico, no vaso sanitário e nas fezes (externamente ou misturado). Infelizmente algumas vezes este sintoma é banalizado e muitas doenças mais graves deixam de ser diagnosticadas, trazendo inclusive risco de morte a estas pessoas.
Sabe-se que em 90% dos casos este tipo de sangramento está relacionado a doenças benignas, mas há exceções! Várias doenças proctológicas e intestinais podem apresentar o sangramento anal como sintoma. São exemplos as hemorroidas (causa mais comum), fissura anal, as doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativa, doença de Crohn), pólipos de intestino, câncer de intestino, proctite (inflamação do canal anal) e retite.
A AVALIAÇÃO de um PROCTOLOGISTA é NECESSÁRIA! A correta determinação da causa do sangramento é importante para que se exclua doenças graves e que necessitem de tratamentos mais complexos.
Este cuidado deve ser ainda maior nas pessoas com idade superior a 40 anos e para aqueles com história familiar de CÂNCER DE INTESTINO. Como o risco de desenvolvimento do câncer de intestino é maior e o diagnóstico precoce traz chances reais de cura, a pesquisa da origem e da causa do sangramento deve ser mais rigorosa. O SANGRAMENTO ANAL É UM DOS SINTOMAS MAIS COMUNS DO CÂNCER DE INTESTINO.
Outro dado muito importante é que A PRESENÇA DE HEMORROIDAS NÃO EXCLUI A POSSIBILIDADE DE OUTRA CAUSA DE SANGRAMENTO. Caso você já tenha um diagnóstico de hemorroidas realizado por seu médico, e comece a apresentar mudança no padrão do sangramento, como aumento na intensidade e frequência, sangue misturado às fezes, presença de coágulos, alteração na forma das fezes e constipação, discuta novamente o seu caso.
É FUNDAMENTAL ENTENDER A CAUSA DO SANGRAMENTO ANAL!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista, Proctologista e Nutrólogo

O SANGRAMENTO ANAL recorrente, de forma autolimitada e crônica, é um dos sintomas mais comuns apresentados por pacientes portadores de doenças intestinais e anais. Estima-se que 15% dos adultos tenham este sintoma. Mas sabe-se que apenas 14% das pessoas com este tipo de sangramento procuram ajuda médica em até um ano após o início do […]
23 jan 20

Celíacos do Mundo todo têm as mesmas dúvidas neste momento de pandemia: somos mais suscetíveis à infecção pelo coronavírus? Caso a infecção ocorra, ela é mais forte nos celíacos?
Sabidamente, este é um vírus novo e todos estamos aprendendo a lidar com ele e com as suas repercussões. Por isso, não há qualquer artigo científico que tenha estudado especificamente esta infecção em celíacos (fiz esta pesquisa!).
E como fazemos então? Nos apoiamos no conhecimento de profissionais experientes, observamos como se comportaram as últimas grandes epidemias (como a do H1N1) e nos mantemos atento a tudo de sério e responsável que é dito e publicado.
No caso dos celíacos, vou me apoiar muito no que foi dito pelo Dr. Alessio Fasano, diretor do Centro de Tratamento e Pesquisa em Doença Celíaca da Universidade de Harvard, e compartilho abaixo um link com o vídeo que o Dr. Fasano publicou sobre este tema.
Assim como poderíamos imaginar, celíacos que estão controlados, bem adaptados à dieta e com anticorpos normais, estão com a sua imunidade funcionando de maneira eficiente. Ou seja, não estão imunocomprometidos! Por isso, correm o mesmo risco de infecção pelo coronavírus que a população geral.
No caso de celíacos que ainda apresentam processo inflamatório ativo e não estão com a doença controlada, infelizmente podem ter a sua imunidade comprometida. Isto obviamente aumenta o risco de que infecções ocorram, o que inclui o coronavírus.
Desta forma, todos devemos estar calmos, serenos, mas não podemos de forma alguma banalizar a gravidade desta pandemia! Sigam todas as recomendações que estão sendo compartilhadas por médicos e Ministério da Saúde de maneira irrestrita.
Cuidem-se!
Vídeo Dr. Alessio Fasano: https://www.youtube.com/watch?v=3RzvCeObFME&feature=youtu.be

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca e glúten, intolerâncias e alergias alimentares, e doenças intestinais funcionais
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Celíacos do Mundo todo têm as mesmas dúvidas neste momento de pandemia: somos mais suscetíveis à infecção pelo coronavírus? Caso a infecção ocorra, ela é mais forte nos celíacos? Sabidamente, este é um vírus novo e todos estamos aprendendo a lidar com ele e com as suas repercussões. Por isso, não há qualquer artigo científico […]
23 jan 20
Permeabilidade intestinal aumentada: a porta de entrada para muitas doenças.

A MUCOSA INTESTINAL é a maior área de contato entre o corpo humano e o ambiente externo (mais do que a pele!). E funciona como uma “PORTA”! Permite a entrada de nutrientes e fluidos essenciais para a nossa sobrevivência, mas restringe a passagem de bilhões de bactérias, vírus, fungos, substâncias tóxicas e de alguns componentes alimentares indesejáveis que ingerimos diariamente. Este mecanismo de abertura e fechamento de portas do nosso intestino é crucial para a nossa saúde.
O intestino consegue regular o mecanismo de PERMEABILIDADE INTESTINAL através de ligações entre as células da mucosa intestinal chamadas “ZÔNULAS de OCLUSÃO” (ou junções de oclusão). É como se as células da mucosa intestinal estivessem coladas umas às outras. Por outro lado, quando acham conveniente, estas células “abrem” estas junções momentaneamente e permitem a passagem do que é importante para o nosso corpo.
A nossa mucosa intestinal funciona é como um “filtro de café”! Deixa passar a água e o maravilhoso sabor do café, mas isto não quer dizer que precisamos comer o pó! É o que chamamos de barreira semipermeável.
E quando este mecanismo seletivo falha e as camadas mais profundas do intestino são invadidas pelo que não queríamos? Passamos a sofrer com o AUMENTO DA PERMEABILIDADE INTESTINAL, o chamado “LEAKY GUT”! Este é um processo danoso que pode gerar um quadro inflamatório tanto no intestino (localmente) quanto em todo o nosso corpo (sistemicamente).
Defeitos no controle da permeabilidade intestinal participam dos mecanismos de doenças intestinais como a doença celíaca, síndrome do intestino irritável e doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa). E é associado a doenças autoimunes e metabólicas como o lúpus, diabetes, esclerose múltipla, fadiga crônica, fibromialgia, doenças cardiovasculares e esteatose hepática.
O aumento de permeabilidade intestinal é ocasionado por inflamação e infecção intestinais, alimentos alergênicos, substâncias tóxicas, medicamentos, estilo de vida, drogas e alterações da nossa microbiota.
Na “festa” chamada “intestino” só os convidados devem entrar! Mas quando os “penetras” conseguem driblar a segurança a nossa saúde sofre sérios riscos!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em doença celíaca e glúten, intolerâncias e alergias alimentares e doenças intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

A MUCOSA INTESTINAL é a maior área de contato entre o corpo humano e o ambiente externo (mais do que a pele!). E funciona como uma “PORTA”! Permite a entrada de nutrientes e fluidos essenciais para a nossa sobrevivência, mas restringe a passagem de bilhões de bactérias, vírus, fungos, substâncias tóxicas e de alguns componentes […]
18 jan 20
Helicobacter pylori: o que esta bactéria faz no nosso estômago?

HELICOBACTER PYLORI: o que esta bactéria causa no nosso estômago?
Esta é uma das infecções mais comuns em todo o Mundo e muito prevalente no Brasil (60 % da população!), causando uma série de distúrbios gástricos e sintomas digestivos. Geralmente é adquirida na infância, com maior incidência em países com restrições sócio-econômicas. A falta de saneamento básico é um alto fator de risco para a infecção, visto que a transmissão é fecal-oral. Como comparação, a incidência nos Estados Unidos é de 20%. Por outro lado, no Vietnã, Camboja e Índia, de 80%.
A bactéria tem relação com os casos de ÚLCERAS benignas de duodeno/estômago (90% dos casos são causados por ela), GASTRITE crônica, ATROFIA gástrica, LINFOMA gástrico e CÂNCER de estômago. Mas também está associada a quadros de DISPEPSIA, caracterizados por dor de estômago e desconforto pós-alimentar (distensão, náusea, eructações e refluxo gastroesofágico). Pesquisar a presença de Helicobacter pylori está indicada em todos estes casos.
Em relação à parte nutricional, a deficiência de ferro e anemia ferropriva (carência de ferro) são as alterações mais relevantes, e decorre da e inflamação e atrofia que a bactéria causa na mucosa gástrica e duodenal. A infecção pelo Helicobacter pylori deve ser sempre lembrada como possível causa de carência de ferro não explicada por outros motivos.
Também é importante se lembrar que pacientes que farão uso crônico de AAS (aspirina) e outros anti-inflamatórios, devido ao risco associado de lesões gástricas (úlcera e sangramento), devem ter o diagnóstico de infecção pelo Helicobacter pylori estabelecido previamente.
O diagnóstico é realizado através de endoscopia digestiva alta com biópsia, teste respiratório e pesquisa da bactéria nas fezes. A vantagem de se realizar a endoscopia é poder visualizar alguma lesão, e caso seja necessário, biopsiá-la para estudo. Enquanto os outros métodos são interessantes por não serem invasivos.
O tratamento consiste em utilizar medicamentos que controlem a acidez do estômago e uma combinação de antibióticos. Todos os esquemas antibióticos costumam ter duração de 10 a 14 dias, podendo haver falha de tratamento em pelo menos 10% dos casos (devido a resistência bacteriana). Por isso, é importante que se revise se a bactéria foi realmente erradicada com o tratamento realizado. E que os médicos estejam atualizados sobre os esquemas terapêutico mais eficazes para cada região.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo

HELICOBACTER PYLORI: o que esta bactéria causa no nosso estômago? Esta é uma das infecções mais comuns em todo o Mundo e muito prevalente no Brasil (60 % da população!), causando uma série de distúrbios gástricos e sintomas digestivos. Geralmente é adquirida na infância, com maior incidência em países com restrições sócio-econômicas. A falta de […]
18 jan 20
Dieta “low  glúten” e doença celíaca: isso não existe!

Dieta “Low Gluten” e Doença celíaca: isso NÃO EXISTE!
A doença celíaca é uma alteração desencadeada pelo GLÚTEN em pessoas geneticamente predispostas. Esta é uma informação mais do que sabida!
O ponto a ser discutido aqui é: qual a QUANTIDADE de glúten pode ser TOLERADA por um celíaco?
É aí que devemos estar TODOS atentos, bem informados e seguros.
O nosso sistema imunológico é capaz de reconhecer corpos estranhos e invasores com extrema capacidade e eficiência, mesmo em quantidades ou dimensões praticamente não mensuráveis. Conseguimos nos defender de vírus e bactérias, que obviamente são estruturas microscópicas. Não precisamos de um kilo destes microrganismos para que o as nossas defesas sejam ativadas! Também somos capazes de perceber partículas de alimentos não digeridas, toxinas e até remédios, mesmo que em quantidades desprezíveis.
No caso dos celíacos, a mínima quantidade de glúten já é capaz de estimular a autoagressão conhecida como autoimunidade, com alterações intestinais e sistêmicas severas.
Sabe-se que se um celíaco dividir uma fatia de pão em 40 partes, e ingerir uma destas “migalhas” por 90 dias, terá o mesmo padrão de atrofia intestinal que um celíaco que ingere glúten livremente (o que é um enorme erro!). Usando termos técnicos, produtos sem glúten devem conter menos que 20 partículas por milhão (20mg/kg). Esta quantidade é menor do que encontramos em muitos medicamentos capazes de gerar enormes efeitos colaterais em nosso corpo. E por que o glúten não seria capaz de fazer o mesmo em pessoas que não o toleram?
Podemos concluir desta forma que:
A DIETA “LOW GLÚTEN” NÃO É SEGURA PARA OS CELÍACOS! Celíacos que ingerem glúten propositalmente ou se contaminam com frequência apresentam mais sintomas, doenças autoimunes associadas e tem uma expectativa de vida menor! Por favor, não duvidem disto.
Entendo a enorme dificuldade que é manter uma dieta completamente isenta de glúten por toda uma vida, o custo social e emocional que isto representa e o quanto isto pode ser frustrante. Mas o objetivo é manter os celíacos saudáveis, capazes de realizar sonhos, de concluir projetos pessoais, profissionais e familiares. É por isso que que grupos sociais, associações, federações e profissionais que realmente se dedicam ao estudo da doença lutam diariamente.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca, intolerâncias e alergias alimentares e doenças gastrointestinais funcionais
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Dieta “Low Gluten” e Doença celíaca: isso NÃO EXISTE! A doença celíaca é uma alteração desencadeada pelo GLÚTEN em pessoas geneticamente predispostas. Esta é uma informação mais do que sabida! O ponto a ser discutido aqui é: qual a QUANTIDADE de glúten pode ser TOLERADA por um celíaco? É aí que devemos estar TODOS atentos, […]