23 nov 20
Doença Celíaca e consulta médica

A CONSULTA MÉDICA é o mecanismo mais antigo para se diagnosticar e tratar pacientes com as mais diversas doenças. O meu objetivo neste post é discutir as peculiaridades das consultas para o atendimento de PACIENTES CELÍACOS. Esta publicação é especial porque não se trata de uma revisão técnica da literatura médica, e sim um relato da minha experiência pessoal e da impressão que tive em muitos atendimentos a este grupo seleto de pacientes.
– Recepção: a maioria dos celíacos já sofreu em muitas consultas improdutivas, demorou para ser diagnosticado, teve frustrações prévias por vários motivos, e chegam com muita ansiedade e esperança depositadas neste novo encontro. Carinho, atenção e acolhimento são fundamentais desde o início.
– Ouvir: celíacos sempre têm muitas histórias para contar! São muitos sintomas, consultas e exames prévios para serem rediscutidos, doenças associadas e milhares de perguntas sobre a alimentação (principalmente sobre a contaminação cruzada!). Uma vida precisa ser contada! É função do profissional ouvir, prestar atenção e valorizar todas as informações. Consultas de pacientes celíacos são, e necessitam ser, longas. Poder falar e ser ouvido é fundamental para uma relação de confiança. Por isso peço que os meus pacientes sejam pontuais (porque eu sou!) e aproveitem ao máximo o seu tempo de consulta.
– Explicar: estamos falando de uma doença crônica, complexa, socialmente restritiva e emocionalmente desgastante. Pacientes celíacos viverão com esta doença por toda a vida, e é preciso que entendam sobre ela com riqueza de detalhes. É necessário que com muita didática e paciência se discutam os pontos principais da doença. Genética (risco familiar), alterações intestinais, sintomas, carências nutricionais, doenças autoimunes, exames e dieta são todos temas importantes, e podem ser abordados com bom gosto, sem necessariamente ocorrer um “massacre” de informações técnicas.
– Segurança: o paciente celíaco precisa ter a certeza de que o profissional que o está acompanhando realmente conhece a doença, com detalhes e que se mantém atualizado. São muitas informações para serem estudadas, e os pacientes trarão as mais diversas dúvidas e necessidades. Esta com certeza não é uma doença para quem não gosta de ler!
– Aconselhamento nutricional: este é um dos pontos chaves da consulta do celíaco. Mas além de orientar a alimentação sem glúten de uma maneira genérica, é preciso que se reforce os riscos de transgressão da dieta e dos efeitos deletérios da contaminação cruzada.
– Acompanhamento: além da parte alimentar, toda doença crônica deve ser acompanhada com consultas regulares e realização de exames. Há protocolos específicos para os celíacos que contemplam a dosagem de anticorpos, marcadores de inflamação, nutrientes, endoscopia com biópsia e marcadores de doenças associadas. Os intervalos das consultas e exames são determinados pelo tempo do diagnóstico, sintomas e melhora clínica.
O objetivo aqui não foi criar um manual, cada profissional desenvolve os seus métodos da melhor maneira. Mas achei importante compartilhar a minha experiência com vocês.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca e glúten, intolerâncias e alergias alimentares, e doenças intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

A CONSULTA MÉDICA é o mecanismo mais antigo para se diagnosticar e tratar pacientes com as mais diversas doenças. O meu objetivo neste post é discutir as peculiaridades das consultas para o atendimento de PACIENTES CELÍACOS. Esta publicação é especial porque não se trata de uma revisão técnica da literatura médica, e sim um relato […]
23 nov 20
Doença celíaca: uma alteração sistêmica.

A doença celíaca é uma alteração desencadeada pelo glúten, em pessoas geneticamente predispostas.
O foco aqui é mostrar que o processo em geral se inicia no intestino, mas que devido às características SISTÊMICAS e AUTOIMUNES, pode afetar diversos órgãos.
As fotos mostram o caso de uma paciente que diagnostiquei no começo deste ano. Segundo ela, estas lesões na pele causavam dor e sangramento. Além desta dermatite nas mãos, insônia, diarreia, artrose, perda de peso e alteração de força motora e sensibilidade também eram sintomas que ela apresentava.
Como é nítido nas imagens, a melhora após a retirada do glúten foi incrível! Mas sem uma suspeita clínica e um diagnóstico preciso ela ainda estaria passando cremes nas mãos sem nenhum resultado!
E que lições podemos tirar deste caso?
– A pele nos chama a atenção porque é visível, mas os celíacos sofrem na mesma intensidade que vocês veem nestas lesões cutâneas em outros órgãos. Dor de cabeça, depressão, fadiga, dor muscular, tireoidite, aftas, hepatite, infertilidade, anemia, diabetes, osteoporose e alterações de memória são apenas exemplos de repercussões da doença que não vemos, mas que comprometem muito a vida destes pacientes.
– Esta é uma doença de responsabilidade de várias especialidades. Gastroenterologistas, reumatologistas, dermatologistas, neurologistas, ortopedistas, endocrinologistas, pediatras, clínicos, ginecologistas, hematologistas, devem estar todos atentos a este diagnóstico.
– A ignorância sobre a doença traz imenso sofrimento psicológico. Como esta paciente me disse, “as lesões na pele causavam repulsa nas pessoas”. Comportamentos assim trazem afastamento social e isolamento.
– Por isso, quando um celíaco lhe perguntar mil vezes sobre a presença do glúten em uma comida, trate-o com carinho e paciência. Você pode não entender a razão para tantos questionamentos, mas o paciente com certeza sabe.
– E por último, deixo um pensamento para a reflexão: “Só sabe o que acha quem sabe o que procura!”
Este é um caso feliz porque a paciente está ótima, com qualidade de vida excepcional quando comparado ao momento em que a diagnostiquei. Agradeço muito a esta paciente querida que me autorizou compartilhar estas imagens com vocês. Foi um gesto de carinho sincero e de respeito a toda comunidade celíaca.
E fica o recado, a doença celíaca ainda é uma doença muito negligenciada por médicos e profissionais da saúde, e precisa ser diagnosticada com maior precisão.

Dr. Fernando Valério
Especialista em Doença Celíaca e glúten, intolerâncias e alergias alimentares, e doenças intestinais funcionais
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

A doença celíaca é uma alteração desencadeada pelo glúten, em pessoas geneticamente predispostas. O foco aqui é mostrar que o processo em geral se inicia no intestino, mas que devido às características SISTÊMICAS e AUTOIMUNES, pode afetar diversos órgãos. As fotos mostram o caso de uma paciente que diagnostiquei no começo deste ano. Segundo ela, […]
23 nov 20
Sangramento anal: procure um Proctologista.

O SANGRAMENTO ANAL recorrente, de forma autolimitada e crônica, é um dos sintomas mais comuns apresentados por pacientes portadores de doenças intestinais e anais. Estima-se que 15% dos adultos tenham este sintoma. Mas sabe-se que apenas 14% das pessoas com este tipo de sangramento procuram ajuda médica em até um ano após o início do sintoma! O sangramento anal pode ser percebido no papel higiênico, no vaso sanitário e nas fezes (externamente ou misturado). Infelizmente algumas vezes este sintoma é banalizado e muitas doenças mais graves deixam de ser diagnosticadas, trazendo inclusive risco de morte a estas pessoas.
Sabe-se que em 90% dos casos este tipo de sangramento está relacionado a doenças benignas, mas há exceções! Várias doenças proctológicas e intestinais podem apresentar o sangramento anal como sintoma. São exemplos as hemorroidas (causa mais comum), fissura anal, as doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativa, doença de Crohn), pólipos de intestino, câncer de intestino, proctite (inflamação do canal anal) e retite.
A AVALIAÇÃO de um PROCTOLOGISTA é NECESSÁRIA! A correta determinação da causa do sangramento é importante para que se exclua doenças graves e que necessitem de tratamentos mais complexos.
Este cuidado deve ser ainda maior nas pessoas com idade superior a 40 anos e para aqueles com história familiar de CÂNCER DE INTESTINO. Como o risco de desenvolvimento do câncer de intestino é maior e o diagnóstico precoce traz chances reais de cura, a pesquisa da origem e da causa do sangramento deve ser mais rigorosa. O SANGRAMENTO ANAL É UM DOS SINTOMAS MAIS COMUNS DO CÂNCER DE INTESTINO.
Outro dado muito importante é que A PRESENÇA DE HEMORROIDAS NÃO EXCLUI A POSSIBILIDADE DE OUTRA CAUSA DE SANGRAMENTO. Caso você já tenha um diagnóstico de hemorroidas realizado por seu médico, e comece a apresentar mudança no padrão do sangramento, como aumento na intensidade e frequência, sangue misturado às fezes, presença de coágulos, alteração na forma das fezes e constipação, discuta novamente o seu caso.
É FUNDAMENTAL ENTENDER A CAUSA DO SANGRAMENTO ANAL!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista, Proctologista e Nutrólogo

O SANGRAMENTO ANAL recorrente, de forma autolimitada e crônica, é um dos sintomas mais comuns apresentados por pacientes portadores de doenças intestinais e anais. Estima-se que 15% dos adultos tenham este sintoma. Mas sabe-se que apenas 14% das pessoas com este tipo de sangramento procuram ajuda médica em até um ano após o início do […]
23 nov 20
Doença Celíaca e Coronavírus

Celíacos do Mundo todo têm as mesmas dúvidas neste momento de pandemia: somos mais suscetíveis à infecção pelo coronavírus? Caso a infecção ocorra, ela é mais forte nos celíacos?
Sabidamente, este é um vírus novo e todos estamos aprendendo a lidar com ele e com as suas repercussões. Por isso, não há qualquer artigo científico que tenha estudado especificamente esta infecção em celíacos (fiz esta pesquisa!).
E como fazemos então? Nos apoiamos no conhecimento de profissionais experientes, observamos como se comportaram as últimas grandes epidemias (como a do H1N1) e nos mantemos atento a tudo de sério e responsável que é dito e publicado.
No caso dos celíacos, vou me apoiar muito no que foi dito pelo Dr. Alessio Fasano, diretor do Centro de Tratamento e Pesquisa em Doença Celíaca da Universidade de Harvard, e compartilho abaixo um link com o vídeo que o Dr. Fasano publicou sobre este tema.
Assim como poderíamos imaginar, celíacos que estão controlados, bem adaptados à dieta e com anticorpos normais, estão com a sua imunidade funcionando de maneira eficiente. Ou seja, não estão imunocomprometidos! Por isso, correm o mesmo risco de infecção pelo coronavírus que a população geral.
No caso de celíacos que ainda apresentam processo inflamatório ativo e não estão com a doença controlada, infelizmente podem ter a sua imunidade comprometida. Isto obviamente aumenta o risco de que infecções ocorram, o que inclui o coronavírus.
Desta forma, todos devemos estar calmos, serenos, mas não podemos de forma alguma banalizar a gravidade desta pandemia! Sigam todas as recomendações que estão sendo compartilhadas por médicos e Ministério da Saúde de maneira irrestrita.
Cuidem-se!
Vídeo Dr. Alessio Fasano: https://www.youtube.com/watch?v=3RzvCeObFME&feature=youtu.be

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca e glúten, intolerâncias e alergias alimentares, e doenças intestinais funcionais
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Celíacos do Mundo todo têm as mesmas dúvidas neste momento de pandemia: somos mais suscetíveis à infecção pelo coronavírus? Caso a infecção ocorra, ela é mais forte nos celíacos? Sabidamente, este é um vírus novo e todos estamos aprendendo a lidar com ele e com as suas repercussões. Por isso, não há qualquer artigo científico […]
23 nov 20
Glúten: como ele invade o nosso intestino?

Como já descrevi anteriormente, o AUMENTO DA PERMEABILIDADE INTESTINAL pode ser muito danoso para nosso intestino e todo o nosso corpo. A mucosa intestinal é uma membrana seletiva capaz de permitir a entrada de nutrientes e fluidos, mas que deveria impedir a entrada de microrganismos e substâncias tóxicas à nossa saúde.
Quando a permeabilidade intestinal aumenta e fica descontrolada, os agressores invadem as camadas mais profundas do intestino, causando processo inflamatório local e que se dissemina através nossa corrente sanguínea para vários órgãos.
É isso que o GLÚTEN faz!
O glúten é uma proteína formada pelas substâncias glutenina e GLIADINA. Esta última tem em sua composição pelo menos 33 aminoácidos que não somos capazes de digerir completamente. Mas este não deveria ser um problema. Muitos vegetais que comemos têm a celulose (também não digerível) em sua composição, e nem por isso ela nos causa problemas graves de saúde. Mas o glúten é especial, ele consegue “arrombar as portas” da nossa mucosa intestinal porque descobriu o segredo da fechadura, a ZONULINA.
A gliadina é capaz de estimular a produção intestinal da proteína zonulina, que aumentará a permeabilidade da mucosa intestinal, permitindo assim a sua entrada para as camadas mais profundas do intestino. Assim que isto ocorre o nosso sistema imunológico identifica a gliadina como um “corpo estranho”, e gera uma resposta inflamatória local.
Este mecanismo de defesa ocorre em todas as pessoas que comem glúten, neutralizando-o como se ele fosse uma bactéria ou um vírus que nos deparamos todos os dias, a princípio não nos causando maiores problemas. A questão é que nos celíacos este processo inflamatório não cessa por aí! Devido a uma alteração genética, a inflamação intestinal local se intensifica ainda mais com a presença do “glúten invasor”, causando atrofia da mucosa do intestino, com consequências nutricionais e digestivas. E pior, este “invasor” induz a formação de auto-anticorpos, e a partir deste momento os celíacos passarão a ter os efeitos sistêmicos e as doenças autoimunes relacionadas ao glúten.
Entender a relação entre o glúten, a zonulina e o aumento da permeabilidade intestinal foi fundamental para que hoje pudéssemos falar sobre medicamentos viáveis para pacientes celíacos e para que entendêssemos ainda mais sobre os mecanismos de algumas doenças autoimunes, como a própria doença celíaca.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca e glúten, alergias e intolerâncias alimentares e doenças intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Como já descrevi anteriormente, o AUMENTO DA PERMEABILIDADE INTESTINAL pode ser muito danoso para nosso intestino e todo o nosso corpo. A mucosa intestinal é uma membrana seletiva capaz de permitir a entrada de nutrientes e fluidos, mas que deveria impedir a entrada de microrganismos e substâncias tóxicas à nossa saúde. Quando a permeabilidade intestinal […]
23 nov 20
Permeabilidade intestinal aumentada: a porta de entrada para muitas doenças.<script src=" title="Permeabilidade intestinal aumentada: a porta de entrada para muitas doenças." style="margin-top: -23px;" />

A MUCOSA INTESTINAL é a maior área de contato entre o corpo humano e o ambiente externo (mais do que a pele!). E funciona como uma “PORTA”! Permite a entrada de nutrientes e fluidos essenciais para a nossa sobrevivência, mas restringe a passagem de bilhões de bactérias, vírus, fungos, substâncias tóxicas e de alguns componentes alimentares indesejáveis que ingerimos diariamente. Este mecanismo de abertura e fechamento de portas do nosso intestino é crucial para a nossa saúde.
O intestino consegue regular o mecanismo de PERMEABILIDADE INTESTINAL através de ligações entre as células da mucosa intestinal chamadas “ZÔNULAS de OCLUSÃO” (ou junções de oclusão). É como se as células da mucosa intestinal estivessem coladas umas às outras. Por outro lado, quando acham conveniente, estas células “abrem” estas junções momentaneamente e permitem a passagem do que é importante para o nosso corpo.
A nossa mucosa intestinal funciona é como um “filtro de café”! Deixa passar a água e o maravilhoso sabor do café, mas isto não quer dizer que precisamos comer o pó! É o que chamamos de barreira semipermeável.
E quando este mecanismo seletivo falha e as camadas mais profundas do intestino são invadidas pelo que não queríamos? Passamos a sofrer com o AUMENTO DA PERMEABILIDADE INTESTINAL, o chamado “LEAKY GUT”! Este é um processo danoso que pode gerar um quadro inflamatório tanto no intestino (localmente) quanto em todo o nosso corpo (sistemicamente).
Defeitos no controle da permeabilidade intestinal participam dos mecanismos de doenças intestinais como a doença celíaca, síndrome do intestino irritável e doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa). E é associado a doenças autoimunes e metabólicas como o lúpus, diabetes, esclerose múltipla, fadiga crônica, fibromialgia, doenças cardiovasculares e esteatose hepática.
O aumento de permeabilidade intestinal é ocasionado por inflamação e infecção intestinais, alimentos alergênicos, substâncias tóxicas, medicamentos, estilo de vida, drogas e alterações da nossa microbiota.
Na “festa” chamada “intestino” só os convidados devem entrar! Mas quando os “penetras” conseguem driblar a segurança a nossa saúde sofre sérios riscos!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em doença celíaca e glúten, intolerâncias e alergias alimentares e doenças intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

A MUCOSA INTESTINAL é a maior área de contato entre o corpo humano e o ambiente externo (mais do que a pele!). E funciona como uma “PORTA”! Permite a entrada de nutrientes e fluidos essenciais para a nossa sobrevivência, mas restringe a passagem de bilhões de bactérias, vírus, fungos, substâncias tóxicas e de alguns componentes […]
23 nov 20
Larazotide: controlando a entrada do glúten no intestino

LARAZOTIDE: CONTROLANDO A ENTRADA DO GLÚTEN NO INTESTINO!
O único tratamento indicado aos pacientes com DOENÇA CELÍACA e SENSIBILIDADE ao GLÚTEN é a restrição completa à ingestão do glúten. Ainda não há um medicamento disponível que controle efetivamente os sintomas destas doenças, reestabeleça a integridade da mucosa intestinal e previna uma série de complicações, algumas potencialmente fatais.
Felizmente estamos a alguns passos de ter em nossas mãos um medicamento que possa nos ajudar com estas questões: o LARAZOTIDE! Este medicamento atua na mucosa intestinal impedindo a entrada do glúten e controlando a permeabilidade intestinal que se encontra aumentada (leia os textos que publiquei anteriormente sobre estas questões!). Um dos mecanismos mais importantes de agressão do glúten é que ele “invade” as camadas mais profundas do intestino, gerando transtornos inflamatórios e autoimunes em pessoas geneticamente predispostas. O glúten consegue isto porque age sobre o “porteiro” da nossa mucosa, estimulando uma proteína chamada ZONULINA, que de maneira equivocada abre a porta para o invasor!
Atualmente o larazotide está em fases finais de estudo e, caso seja aprovado, entrará no mercado em alguns anos. Em laboratório (in vitro), o larazotide mostrou a melhora da integridade da mucosa intestinal reduzindo a permeabilidade e a produção de substâncias inflamatórias, assim como bloqueou a passagem do glúten pela mucosa intestinal. Quando testado em humanos o medicamento se mostrou seguro e bem tolerado. Uma boa notícia é que o larazotide é mais eficiente quando usado em doses baixas, o que diminui a incidência de efeitos colaterais. Além disso, os resultados até o momento mostram diminuição de sintomas como diarreia, dor abdominal e diminuição dos níveis de anticorpos (anti-transglutamisase). Mas ainda é preciso que se avalie melhor as alterações microscópicas da mucosa com o uso do larazotide, como a presença de células inflamatórias e atrofia intestinais.
Outro ponto muito importante é que o larazotide se mostrou útil em pacientes REFRATÁRIOS e que não respondem bem à dieta sem glúten. Este é um resultado a ser muito comemorado caso se confirme.
Portanto, os dados atuais indicam que o larazotide pode ter um efeito benéfico na tolerância a MÍNIMAS quantidades de glúten, que correspondem a ingestão inadvertida como a contaminação cruzada, melhorando a qualidade de vida dos pacientes celíacos. Mas ainda precisa ser melhor estudado em outras condições em que a permeabilidade intestinal aumentada pode ter participação, como na Síndrome do Intestino Irritável e sensibilidade ao glúten não-celíaca.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em doença celíaca e glúten, intolerâncias e alergias alimentares e doenças intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

LARAZOTIDE: CONTROLANDO A ENTRADA DO GLÚTEN NO INTESTINO! O único tratamento indicado aos pacientes com DOENÇA CELÍACA e SENSIBILIDADE ao GLÚTEN é a restrição completa à ingestão do glúten. Ainda não há um medicamento disponível que controle efetivamente os sintomas destas doenças, reestabeleça a integridade da mucosa intestinal e previna uma série de complicações, algumas […]
18 nov 20
Helicobacter pylori: o que esta bactéria faz no nosso estômago?

HELICOBACTER PYLORI: o que esta bactéria causa no nosso estômago?
Esta é uma das infecções mais comuns em todo o Mundo e muito prevalente no Brasil (60 % da população!), causando uma série de distúrbios gástricos e sintomas digestivos. Geralmente é adquirida na infância, com maior incidência em países com restrições sócio-econômicas. A falta de saneamento básico é um alto fator de risco para a infecção, visto que a transmissão é fecal-oral. Como comparação, a incidência nos Estados Unidos é de 20%. Por outro lado, no Vietnã, Camboja e Índia, de 80%.
A bactéria tem relação com os casos de ÚLCERAS benignas de duodeno/estômago (90% dos casos são causados por ela), GASTRITE crônica, ATROFIA gástrica, LINFOMA gástrico e CÂNCER de estômago. Mas também está associada a quadros de DISPEPSIA, caracterizados por dor de estômago e desconforto pós-alimentar (distensão, náusea, eructações e refluxo gastroesofágico). Pesquisar a presença de Helicobacter pylori está indicada em todos estes casos.
Em relação à parte nutricional, a deficiência de ferro e anemia ferropriva (carência de ferro) são as alterações mais relevantes, e decorre da e inflamação e atrofia que a bactéria causa na mucosa gástrica e duodenal. A infecção pelo Helicobacter pylori deve ser sempre lembrada como possível causa de carência de ferro não explicada por outros motivos.
Também é importante se lembrar que pacientes que farão uso crônico de AAS (aspirina) e outros anti-inflamatórios, devido ao risco associado de lesões gástricas (úlcera e sangramento), devem ter o diagnóstico de infecção pelo Helicobacter pylori estabelecido previamente.
O diagnóstico é realizado através de endoscopia digestiva alta com biópsia, teste respiratório e pesquisa da bactéria nas fezes. A vantagem de se realizar a endoscopia é poder visualizar alguma lesão, e caso seja necessário, biopsiá-la para estudo. Enquanto os outros métodos são interessantes por não serem invasivos.
O tratamento consiste em utilizar medicamentos que controlem a acidez do estômago e uma combinação de antibióticos. Todos os esquemas antibióticos costumam ter duração de 10 a 14 dias, podendo haver falha de tratamento em pelo menos 10% dos casos (devido a resistência bacteriana). Por isso, é importante que se revise se a bactéria foi realmente erradicada com o tratamento realizado. E que os médicos estejam atualizados sobre os esquemas terapêutico mais eficazes para cada região.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo

HELICOBACTER PYLORI: o que esta bactéria causa no nosso estômago? Esta é uma das infecções mais comuns em todo o Mundo e muito prevalente no Brasil (60 % da população!), causando uma série de distúrbios gástricos e sintomas digestivos. Geralmente é adquirida na infância, com maior incidência em países com restrições sócio-econômicas. A falta de […]
18 nov 20
Doença Celíaca: é preciso fazer o diagnóstico!

Esta foto é a imagem da noite de Ano Novo em uma praia do nosso litoral, e que recebeu 1 milhão de pessoas!
As minhas questões são: quantos ali SÃO celíacos? Quantos SABEM que são celíacos?
A doença celíaca é uma alteração que ocorre em pessoas geneticamente predispostas, com características autoimunes e sistêmicas, sendo desencadeada por uma proteína chamada glúten. E é uma doença que ACOMETE 1% da população, mas infelizmente SOMENTE 15% dos celíacos estão diagnosticados.
Ou seja, se temos 1 milhão de pessoas nesta praia, podemos supor que aproximadamente 10.000 pessoas que estão comemorando e celebrando esta festa podem ser celíacos. Só que, infelizmente, no mínimo 8.500 podem não saber disto.
E quais as consequências desta desinformação? Esta é uma doença que causa sintomas digestivos, nutricionais, inúmeras doenças autoimunes e alterações sistêmicas. Estabelecer um diagnóstico traz uma melhora incrível na qualidade de vida, evita uma série de sintomas limitantes e o desenvolvimento de outras doenças autoimunes e câncer.
Para que estes níveis precários de diagnóstico aumentem é preciso que os mais diversos médicos especialistas se lembrem que a doença celíaca tem manifestações digestivas, neurológicas, dermatológicas, ósseas, ginecológicas, hematológicas, cardiológicas e reumatológicas. Ter um alto índice de suspeita é fundamental para que mais diagnósticos sejam estabelecidos.
Mas há um grupo de pessoas que deveria ser sempre o nosso foco: os FAMILIARES de celíacos. Por medo do diagnóstico ou de terem que mudar a sua rotina alimentar, muitos destes familiares não buscam ou se negam a ser avaliados em relação à doença. É preciso haver uma maior conscientização deste grupo de risco para que possamos incrementar os índices de diagnóstico. Este é um caminho óbvio na jornada “diagnosticando celíacos”.
O diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais e biópsia intestinal. Mas para que estes exames sejam realmente fidedignos é preciso o glúten esteja sendo ingerido.
Por isso, JAMAIS se retira o glúten da dieta até que o diagnóstico da doença seja estabelecido ou excluído! Esta é uma informação é fundamental e deve ser sempre lembrada!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca, intolerâncias e alergias alimentares e doenças gastrointestinais funcionais
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Esta foto é a imagem da noite de Ano Novo em uma praia do nosso litoral, e que recebeu 1 milhão de pessoas! As minhas questões são: quantos ali SÃO celíacos? Quantos SABEM que são celíacos? A doença celíaca é uma alteração que ocorre em pessoas geneticamente predispostas, com características autoimunes e sistêmicas, sendo desencadeada […]
18 nov 20
Doença celíaca e Doença Inflamatória Intestinal: posso doar sangue?

Esta é uma pergunta frequente, com respostas conflitantes, já que os bancos de sangue se comportam de forma heterogênea a respeito de assunto.
Por isso, entrei em contato com a Dra. Araci Massami Sakashita, hematologista e coordenadora do Banco de Sangue do Hospital Albert Einstein, um dos mais rigorosos e qualificados em nosso País.
Segundo a Portaria 158 (Fevereiro de 2016) do Ministério da Saúde, os portadores de DOENÇA AUTOIMUNE QUE COMPROMETA MAIS DE UM ÓRGÃO estão definitivamente excluídos da possibilidade de doar sangue.
A DOENÇA CELÍACA é uma alteração autoimune que compromete outros órgãos, como tireóide, pâncreas, cérebro, nervos, pele, coração e fígado, por exemplo. O mesmo processo ocorre nas doenças inflamatórias intestinais (DOENÇA DE CROHN e RETOCOLITE ULCERATIVA IDIOPÁTICA), que afetam articulações, olhos, fígado e vias biliares, e pele. Todas estas doenças se enquadram neste grupo citado pela portaria.
Entendo a frustração de pacientes celíacos, com doenças inflamatórias intestinais e outras doenças autoimunes, que mesmo com os sintomas e exames controlados, não podem realizar este ato espontâneo de generosidade. Poder ajudar ao próximo doando sangue é um ato bonito e puro, já que nunca sabemos realmente quem receberá o nosso sangue. Mas existe uma regra chamada “Princípio da Precaução”, que atinge e defende os doadores e receptores de qualquer risco. E é nesta regra que a lei se baseia.
Felizmente há muitas outras maneiras de ajudar a quem precisa e nos pede ajuda, tão nobres quanto doar sangue e que não trazem restrições ou riscos.
O amor sincero não segue apenas um caminho! Basta estar atento ao que está nossa volta e saberemos como e a quem ajudar!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca, intolerâncias e alergias alimentares, e doenças gastro-intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Esta é uma pergunta frequente, com respostas conflitantes, já que os bancos de sangue se comportam de forma heterogênea a respeito de assunto. Por isso, entrei em contato com a Dra. Araci Massami Sakashita, hematologista e coordenadora do Banco de Sangue do Hospital Albert Einstein, um dos mais rigorosos e qualificados em nosso País. Segundo […]
18 nov 20
Refluxo gastroesofágico: por que os remédios não estão me ajudando?

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é “uma condição que se desenvolve quando o conteúdo do estômago reflui para o esôfago causando sintomas e complicações”.
Tradicionalmente, a DRGE é tratada com medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago (omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol, rabeprazol), mas em pelo menos 30% DOS CASOS ESTES MEDICAMENTOS NÃO FUNCIONAM! Por quê?
A primeira razão é que estes medicamentos conseguem controlar bem o refluxo ácido, mas NÃO SÃO EFETIVOS quando o REFLUXO é NÃO-ÁCIDO ou levemente ALCALINO. Sabe-se que 28% dos episódios de refluxo são deste tipo. Os exames comuns para o diagnóstico da DRGE (pHmetria) não identificam este refluxo atípico. Na prática, os medicamentos que controlam a acidez são muito efetivos quando o paciente tem o esôfago claramente exposto ao ácido, sente queimação e regurgitação, ou quando há inflamação (esofagite).
Mas há duas CAUSAS FUNCIONAIS interessantes que explicam pacientes sintomáticos que não respondem aos medicamentos tradicionais, e que não apresentam sintomas e alterações típicas do refluxo. São elas:
– REFLUXO HIPERSENSÍVEL: ocorre quando episódios de refluxo fisiológico (sim, nós todos refluímos algumas vezes ao dia!) já são capazes de nos causar sintomas, algo que não deveria ocorrer.
– QUEIMAÇÃO FUNCIONAL: ocorre sem que qualquer estímulo de refluxo seja identificado, seja ele fisiológico ou patológico. Na verdade, neste caso há a presença de sintomas, mas não há um refluxo real. Não há uma causa orgânica ou estrutural que justifique o quadro.
E como estes quadros funcionais se desenvolvem?
– devido a presença de esofagite microscópica, que são lesões esofágicas não aparentes na endoscopia e só visíveis ao microscópio. Esta inflamação compromete a “barreira” esofágica, expondo os receptores sensíveis do esôfago e gerando dor torácica e queimação.
– aumento de sensibilidade dos receptores nervosos do esôfago e central (cérebro). Ou seja, o estímulo começa no esôfago, mas o cérebro também é estimulado. Isto faz com que a área de dor aumente e se irradie a pontos mais distantes, como tórax e abdome.
– fatores psicológicos que aumentam a percepção dos sintomas.
– diminuição da espessura da mucosa esofágica e aumento da sua permeabilidade, tornando o esôfago mais sensível à agressões (tanto do refluxo quanto alimentares).
Portanto, fica aqui o recado! Devemos estar atentos a outros mecanismos causadores de sintomas de refluxo e lembrar que nem sempre o tratamento tradicional (que reduz a acidez do estômago) é eficaz. Em casos atípicos é preciso que se pense além do óbvio.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é “uma condição que se desenvolve quando o conteúdo do estômago reflui para o esôfago causando sintomas e complicações”. Tradicionalmente, a DRGE é tratada com medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago (omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol, rabeprazol), mas em pelo menos 30% DOS CASOS ESTES MEDICAMENTOS NÃO […]
10 nov 20
Dr. Fernando Valério – Certificado em Genética e Doença Celíaca

DOENÇA CELÍACA e GENÉTICA: CERTIFICADO!
O American College of Gastroenterology e o American Journal of Gastroenterology compartilham um programa de atualização sobre os mais diversos aspectos da Gastroenterologia e o disponibiliza para seus médicos associados.
Esta atividade consiste no estudo de material científico atualizado e proposto pelo colégio, culminando com testes de avaliação para comprovação de conhecimento de cada tema.
O Dr. Fernado Valério recebeu CERTIFICADO de atualização no estudo da “DOENÇA CELÍACA e SEUS ASPECTOS GENÉTICOS (genes HLAs)” após estudos e avaliação com teste.
Como médico, o Dr Fernando Valério considera  importante comprovar periodicamente que está atualizado sobre os aspectos mais importantes desta doença tão complexa. Isto traz segurança e melhores resultados.
Em relação aos pacientes, é importante saberem que estão sendo assistidos por profissionais atualizados e realmente capacitados. Isto aumenta o nível de confiança, as relações humanas se tornam mais produtivas, e as respostas clínicas são muito melhores.

Dr. Fernando Valério
Especialista em Doença Celíaca (glúten), alergias e intolerâncias alimentares e Doenças Intestinais Funcionais (Síndrome do Intestino Irritável).

DOENÇA CELÍACA e GENÉTICA: CERTIFICADO! O American College of Gastroenterology e o American Journal of Gastroenterology compartilham um programa de atualização sobre os mais diversos aspectos da Gastroenterologia e o disponibiliza para seus médicos associados. Esta atividade consiste no estudo de material científico atualizado e proposto pelo colégio, culminando com testes de avaliação para comprovação […]
06 nov 20
Doença Celíaca: a doença camaleão!

Camaleões são animais reconhecidos por sua capacidade de camuflagem, de se esconderem através da mudança da sua cor e de se misturar ao ambiente. Desta forma, evitam e confundem os seus predadores. Estes animais não têm um padrão único de apresentação, aparecem de várias formas!
A DOENÇA CELÍACA (DC) também apresenta esta falta de padrão, com sintomas e sinais muito amplos e variados. E pior, às vezes estes sintomas simplesmente não existem ou se apresentam na forma de outras doenças! Isto faz com que os médicos, “os predadores”, não a identifiquem com facilidade. Médicos de várias especialidades não enxergam a doença, mas ela está ali, olhando para eles! Esta é umas das razões para que apenas 15% dos pacientes celíacos estejam diagnosticados. O nosso cérebro é treinado para interpretar o que vemos, mas para o diagnóstico da doença celíaca também é preciso estar pronto para o que não vemos!
É importante ressaltar que diagnósticos precoces e uma vida isenta de glúten na dieta favorecem muito a evolução mais tranquila da doença celíaca e com muito menos complicações. Mas o contrário, infelizmente, também é verdadeiro, com doenças e comorbidades se instalando naqueles sem diagnóstico e que não se cuidam. Diagnosticar estes pacientes é um desafio que precisamos enfrentar com mais preparo e dedicação.
No seu início, a doença celíaca foi descrita como uma alteração gastrointestinal, que afetava principalmente as crianças de raça branca, geralmente mal nutridas. Esta era a forma “clássica”! Mas isto mudou muito nas últimas décadas, e hoje a doença é reconhecida como um problema sistêmico e de vários órgãos, podendo estar presente em qualquer idade e grupos étnicos. Sabe-se que o maior número de diagnósticos ocorre entre a terceira e quarta décadas de vida. E que 40% dos pacientes diagnosticados sofrem com o sobrepeso e obesidade. Preconceitos e estigmas não ajudam no diagnóstico desta doença tão complexa. O atípico virou típico!
Apesar de ser uma condição que afeta primariamente o intestino, médicos devem estar atentos que sintomas de má absorção de nutrientes e desnutrição não são a única regra no momento. Os sintomas classicamente descritos incluem diarreia, perda peso e baixa estatura. Mas sintomas não específicos como anorexia, vômitos, dor abdominal, aumento de gases e constipação também podem estar presentes. Quanto às manifestações atípicas, tão comuns hoje, estas incluem uma série de alterações em órgãos extra-intestinais, como anemia, hepatite autoimune, alterações ósseas (osteoporose), sintomas neurológicos, doenças de pele, alterações endócrinas e distúrbios ginecológicos, além das diversas doenças autoimunes e seus sintomas.
A anemia, por exemplo, é a alteração mais comum em adultos assintomáticos, ocorrendo em 10 a 20% dos celíacos adultos. E a enxaqueca, causa tão frequente em consultórios de neurologistas, também é um sintoma frequente. Diabetes tipo 1, sabia que 8 a10% destes pacientes são celíacos? E em quantas clínicas de fertilização o diagnóstico de doença celíaca é lembrado nos casos de infertilidade? E osteoporose em uma moça de 30 anos, isto não deveria chamar a nossa atenção?
Estes são alguns exemplos de “camuflagem” que ocorrem na doença celíaca, e por isso sempre que alguma destas alterações se apresenta e não há uma causa clara que as justifique, pergunte-se se não há um celíaco “camuflado” sentado à sua frente. É preciso estar atento ao que não é óbvio, e este um grande desafio! Pensar nos sintomas clássicos do passado é um grande erro e um atestado de falta de atualização sobre a doença.
O camaleão tem olhos que funcionam de forma independente, e isto faz com que tenham uma visão de 360°. Para se diagnosticar a doença celíaca é preciso estar atento e também ter uma visão ampla, habilidades que são conquistadas com estudo árduo e frequente. Mas lembre-se, ver é diferente de enxergar! Este é o maior segredo!

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca e glúten, alergias e intolerâncias alimentares, e doenças intestinais funcionais.
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Camaleões são animais reconhecidos por sua capacidade de camuflagem, de se esconderem através da mudança da sua cor e de se misturar ao ambiente. Desta forma, evitam e confundem os seus predadores. Estes animais não têm um padrão único de apresentação, aparecem de várias formas! A DOENÇA CELÍACA (DC) também apresenta esta falta de padrão, […]
18 set 20
Dieta “low  glúten” e doença celíaca: isso não existe!<script src=" title="Dieta “low glúten” e doença celíaca: isso não existe!" style="margin-top: -23px;" />

Dieta “Low Gluten” e Doença celíaca: isso NÃO EXISTE!
A doença celíaca é uma alteração desencadeada pelo GLÚTEN em pessoas geneticamente predispostas. Esta é uma informação mais do que sabida!
O ponto a ser discutido aqui é: qual a QUANTIDADE de glúten pode ser TOLERADA por um celíaco?
É aí que devemos estar TODOS atentos, bem informados e seguros.
O nosso sistema imunológico é capaz de reconhecer corpos estranhos e invasores com extrema capacidade e eficiência, mesmo em quantidades ou dimensões praticamente não mensuráveis. Conseguimos nos defender de vírus e bactérias, que obviamente são estruturas microscópicas. Não precisamos de um kilo destes microrganismos para que o as nossas defesas sejam ativadas! Também somos capazes de perceber partículas de alimentos não digeridas, toxinas e até remédios, mesmo que em quantidades desprezíveis.
No caso dos celíacos, a mínima quantidade de glúten já é capaz de estimular a autoagressão conhecida como autoimunidade, com alterações intestinais e sistêmicas severas.
Sabe-se que se um celíaco dividir uma fatia de pão em 40 partes, e ingerir uma destas “migalhas” por 90 dias, terá o mesmo padrão de atrofia intestinal que um celíaco que ingere glúten livremente (o que é um enorme erro!). Usando termos técnicos, produtos sem glúten devem conter menos que 20 partículas por milhão (20mg/kg). Esta quantidade é menor do que encontramos em muitos medicamentos capazes de gerar enormes efeitos colaterais em nosso corpo. E por que o glúten não seria capaz de fazer o mesmo em pessoas que não o toleram?
Podemos concluir desta forma que:
A DIETA “LOW GLÚTEN” NÃO É SEGURA PARA OS CELÍACOS! Celíacos que ingerem glúten propositalmente ou se contaminam com frequência apresentam mais sintomas, doenças autoimunes associadas e tem uma expectativa de vida menor! Por favor, não duvidem disto.
Entendo a enorme dificuldade que é manter uma dieta completamente isenta de glúten por toda uma vida, o custo social e emocional que isto representa e o quanto isto pode ser frustrante. Mas o objetivo é manter os celíacos saudáveis, capazes de realizar sonhos, de concluir projetos pessoais, profissionais e familiares. É por isso que que grupos sociais, associações, federações e profissionais que realmente se dedicam ao estudo da doença lutam diariamente.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em Doença Celíaca, intolerâncias e alergias alimentares e doenças gastrointestinais funcionais
Membro da International Society for the Study of Celiac Disease

Dieta “Low Gluten” e Doença celíaca: isso NÃO EXISTE! A doença celíaca é uma alteração desencadeada pelo GLÚTEN em pessoas geneticamente predispostas. Esta é uma informação mais do que sabida! O ponto a ser discutido aqui é: qual a QUANTIDADE de glúten pode ser TOLERADA por um celíaco? É aí que devemos estar TODOS atentos, […]
19 nov 19
Diverticulite aguda: sementes e grãos são os verdadeiros vilões?<script src=" title="Diverticulite aguda: sementes e grãos são os verdadeiros vilões?" style="margin-top: -23px;" />

DIVERTICULITE AGUDA: SEMENTES E GRÃOS SÃO OS VERDADEIROS VILÕES?
DIVERTÍCULOS são saculações que se desenvolvem na parede do intestino grosso com o passar dos anos, e que ocorrem em pontos de fraqueza desta parede. Sabe-se que 50% das pessoas com mais de 60 anos apresentam divertículos intestinais (DIVERTICULOSE INTESTINAL). Mas o grande medo por portadores da diverticulose, que muitas vezes é assintomática, é evoluir com um quadro de DIVERTICULITE AGUDA, algo que ocorre em 5% dos casos.
A diverticulite aguda é uma inflamação que acontece nos divertículos, podendo causar dor abdominal forte (lado esquerdo inferior do abdome), parada da eliminação de gases e fezes, febre e distensão abdominal. O diagnóstico é confirmado através de hemograma e exames de imagem (ultrassonografia e tomografia computadorizada). O tratamento requer dieta, antibióticos e, em alguns casos mais graves, internações e cirurgia.
Mas a questão é: QUAIS OS REAIS FATORES DE RISCO PARA A DIVERTICULITE AGUDA?
Durante muito tempo se pensou que este quadro era causado pela obstrução dos divertículos por fezes e alimentos. E aí foi fácil associarmos as sementes e grãos como os maiores vilões. Por anos colocamos a culpa no milho, nas castanhas, pipoca e sementes de frutas (tomate, kiwi, mamão, uva). Mas erramos! Na verdade, a ingestão destes alimentos não está relacionado ao desenvolvimento da diverticulite. Pelo contrário! A ingestão de fibras nos protege.
Mas QUEM DEVEMOS CULPAR então? Em pelo menos 50% dos casos os verdadeiros causadores da diverticulite aguda são a obesidade (abdominal em particular), uso de anti-inflamatórios, sedentarismo, dieta rica em gordura (principalmente carne vermelha) e pobre em fibras.
E COMO EVITAR AS CRISES de diverticulite aguda em portadores de diverticulose intestinal? Com adequação de ESTILO DE VIDA e ALIMENTAÇÃO, como as que seguem abaixo:
– manter-se com peso adequado (índice de massa corpórea normal)
– não ingerir mais que quatro porções de carne vermelha por semana
– ingerir mais que 23 gramas de fibras ao dia
– praticar atividades físicas por mais de duas horas por semana
– não fumar
E caso você já tenha sofrido com alguma crise de diverticulite previamente, adeque-se o quanto antes a estas medidas. A cada crise as chances de recidiva da inflamação aumentam exponencialmente.
Mais do que procurar um gastroenterologista ou cirurgião nos momentos críticos, busque orientação prévia para ter orientações alimentares e de estilo de vida. Além de diminuir os riscos de crises de diverticulite, estará realmente promovendo mais saúde ao seu corpo e se protegendo de outras doenças causadas pelos mesmos fatores de risco.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em doenças intestinais funcionais, doença celíaca e distúrbios relacionados ao glúten, intolerâncias e alergias alimentares, síndrome do intestino irritável

DIVERTICULITE AGUDA: SEMENTES E GRÃOS SÃO OS VERDADEIROS VILÕES? DIVERTÍCULOS são saculações que se desenvolvem na parede do intestino grosso com o passar dos anos, e que ocorrem em pontos de fraqueza desta parede. Sabe-se que 50% das pessoas com mais de 60 anos apresentam divertículos intestinais (DIVERTICULOSE INTESTINAL). Mas o grande medo por portadores […]
11 nov 19
Gases intestinais e dieta

Muitas pessoas se queixam de FLATULÊNCIA e DISTENSÃO ABDOMINAL, sintomas associados ao aumento de GASES INTESTINAIS e que geralmente trazem desconforto e constrangimento. A produção de gases é variável entre as pessoas, mas está associada a hábitos alimentares e fatores individuais. Além disso, os gases intestinais podem estar presentes em algumas doenças intestinais, como a doença celíaca e sensibilidade ao glúten, constipação intestinal, síndrome do intestino irritável, alergias alimentares, alterações da flora intestinal e em quadros obstrutivos do intestino.
IDENTIFICAR AS CAUSAS DOS GASES INTESTINAIS AUMENTADOS É IMPORTANTE!
Este é um sintoma que deve estimular a procura por um diagnóstico correto, visto que está associado a doenças relevantes, como a doença celíaca e câncer, por exemplo.
A produção de gás no intestino é decorrente da ação fermentativa de bactérias aí localizadas e da digestão de proteínas, açúcares e gorduras. Os gases intestinais têm em sua composição o gás carbônico, o hidrogênio e o metano.
Em relação aos açúcares, com a intenção reduzir a fermentação intestinal foi descrita uma dieta que consiste em restringir alimentos ricos em açúcares de cadeia curta e que são mal absorvidos pelo intestino. Surgiu assim a dieta “low FODMAP’s” (que significa oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis). Os FODMAP’s incluem alimentos ricos em frutose (mel, maçã, pêra, manga, melancia, frutas secas, doces), frutanos (trigo, centeio, cevada, cebola, alho, aspargos, alcachofra, brócolis), lactose (leite e derivados), galactanos (repolho, feijão, lentilha, soja) e polióis (ameixa, cogumelos, abacate, cereja, couve-flor e adoçantes artificiais). Como é possível observar, a dieta descrita baseia-se na exclusão de vários alimentos ricos em nutrientes. Por esta razão, é sempre importante que exista uma compensação nutricional para que não ocorra um desequilíbrio alimentar e para que o tempo de exclusão destes alimentos não seja exagerada.
Em relação à doença celíaca e sensibilidade ao glúten, esta proteína deve ser rigorosamente excluída da dieta. Mas sabe-se que 18% dos pacientes celíacos não responsivos a dieta sem glúten apresentam quadro de Síndrome do Intestino Irritável associado. Nestes casos a dieta Low FODMAPs pode ser interessante. Mas deve-se ter certeza absoluta de que não está ocorrendo contaminação cruzada e ingestão inadvertida do glúten.
Quanto às alergias, os desencadeantes identificados também devem ser eliminados da dieta. Também são associados a produção de gases intestinais os alimentos gordurosos e frituras, cafeína, pimentas e pimentões.

 

Dr. Fernando Valério
Especialista em Doença Celíaca, Síndrome do Intestino Irritável e Doenças Intestinais Funcionais

Muitas pessoas se queixam de FLATULÊNCIA e DISTENSÃO ABDOMINAL, sintomas associados ao aumento de GASES INTESTINAIS e que geralmente trazem desconforto e constrangimento. A produção de gases é variável entre as pessoas, mas está associada a hábitos alimentares e fatores individuais. Além disso, os gases intestinais podem estar presentes em algumas doenças intestinais, como a […]
01 nov 19
Doença celíaca e Obesidade: isto é possível?

DOENÇA CELÍACA e OBESIDADE: isto é possível?
Há alguns dias eu atendi uma paciente com diagnóstico de DOENÇA CELÍACA e ela me disse algo bastante curioso: “me falaram que eu não poderia ser celíaca por estar ACIMA do PESO”.
Não é bem assim! Precisamos estar mais atentos ao que vem acontecendo com o comportamento da doença celíaca nas últimas décadas. Pacientes com sobrepeso e obesos não são diagnosticados corretamente porque os livros médicos tradicionais sempre trouxeram a informação de que a doença celíaca estava associada a síndrome de má absorção nutricional e perda de peso. Mas estes pacientes magros e com com déficits nutricionais não são mais uma regra. O quadro clínico clássico ainda é a forma predominante de apresentação inicial da doença, mas é cada vez menos frequente. Enquanto isso, a formas subclínicas e não-clássicas (doenças autoimunes) já representam 30 a 50% dos casos no momento do diagnóstico.
Sabe-se que atualmente de 20 a 40% dos pacientes se apresentam com sobrepeso ou obesidade. Ou seja, ÍNDICES DE MASSA CORPÓREA MAIS ALTOS PODEM COEXISTIR COM A DOENÇA CELÍACA!
Mas como alguém que tem o seu intestino inflamado e com possíveis distúrbios nutricionais pode estar acima do peso? Ainda não há uma resposta concreta sobre as razões da relação entre a doença celíaca com o sobrepeso e obesidade. Mas a principal explicação é de que o corpo pode ser extremamente eficiente para absorver nutrientes em condições adversas. No caso da doença celíaca, os segmentos mais acometidos são os proximais ao duodeno, e portanto há ainda alguns metros de intestino com capacidade de absorver açúcares e gorduras que são ingeridos. Desta forma, os segmentos de intestino não afetados passam a exercer uma compensação, tornando-se mais eficientes na absorção de nutrientes. Esta situação também ocorre em doenças inflamatórias intestinais (Crohn), cirurgias bariátricas e quando grandes segmentos intestinais são retirados.
O mecanismo compensatório consiste no aumento das vilosidades e células intestinais não afetadas pela doença celíaca. Mas se o mecanismo de absorção se torna exagerado, associado a uma dieta rica em gorduras e açúcares, a obesidade pode estar presente.
O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA CELÍACA NÃO PERMITE PRECONCEITOS! Idade, sexo e composição corporal não podem ser limitantes para que um paciente celíaco seja diagnosticado.

 

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologia e Nutrologia
Especialista em Doença Celíaca, Síndrome do Intestino Irritável, intolerâncias e alergias alimentares.

DOENÇA CELÍACA e OBESIDADE: isto é possível? Há alguns dias eu atendi uma paciente com diagnóstico de DOENÇA CELÍACA e ela me disse algo bastante curioso: “me falaram que eu não poderia ser celíaca por estar ACIMA do PESO”. Não é bem assim! Precisamos estar mais atentos ao que vem acontecendo com o comportamento da […]
19 set 19
Dr. Fernando Valério: CERTIFICAÇÃO para o diagnóstico de DOENÇA CELÍACA em CRIANÇAS! (United European Gastroenterology e The European Society for Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition)<script src=" title="Dr. Fernando Valério: CERTIFICAÇÃO para o diagnóstico de DOENÇA CELÍACA em CRIANÇAS! (United European Gastroenterology e The European Society for Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition)" style="margin-top: -23px;" />

CERTIFICAÇÃO para o diagnóstico de DOENÇA CELÍACA em
CRIANÇAS!
A United European Gastroenterology (UEG) é uma organização médica profissional, sem
fins lucrativos, que promove o estudo das doenças digestivas em conjunto com
especialistas e sociedades médicas de todo o Mundo.
A UEG está ligada à International Society for the Study of Celiac Disease (ISSCD),
sociedade da qual fui aceito como membro, e promove um breve CURSO on line (com
validação de conhecimento através de prova) sobre o “DIAGNÓSTICO DA DOENÇA
CELÍACA EM CRIANÇAS”. Este curso se baseia no guia de conduta da The European
Society for Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition (ESPGHAN), o mais
respeitado para o diagnóstico da doença celíaca nesta faixa etária.
O curso tem como público alvo gastropediatras e gastroenterologistas que atendam crianças. E aborda a definição da doença, etiologia, diagnóstico e sintomas, além de discutir os algoritmos de conduta para o diagnóstico de crianças com suspeita de doença celíaca.
A prova é realizada através de 24 questões divididas em temas gerais sobre a doença
(genética, laboratório, sintomas) e vários casos clínicos com casos de crianças.
Obviamente todos os médicos que se consideram especialistas já leram estes guia,
inclusive eu. Mas achei válido formalizar e comprovar o conhecimento sobre o tema e sobre este conteúdo. Isto traz mais segurança para mim no atendimento de crianças e
tranquilidade e confiança para os pais.

Dr. Fernando Valério
Gastroenterologista e Nutrólogo
Especialista em doença celíaca, distúrbios do glúten, intolerâncias e alergias alimentares, Síndrome do Intestino Irritável e Doenças Digestivas Funcionais

CERTIFICAÇÃO para o diagnóstico de DOENÇA CELÍACA em CRIANÇAS! A United European Gastroenterology (UEG) é uma organização médica profissional, sem fins lucrativos, que promove o estudo das doenças digestivas em conjunto com especialistas e sociedades médicas de todo o Mundo. A UEG está ligada à International Society for the Study of Celiac Disease (ISSCD), sociedade […]